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Sobre o Pós-modernismo e movimentos sociais

em Comunicação/Feminismo/Jornalismo/Política/Preconceitos por

Vamos falar sobre pós-modernismo, e porquê os movimentos sociais, o feminismo, a causa LGBT, o movimento negro e outros movimentos que costumam ser acusados de “pós-modernistas” não o são. Pós-modernismo é outra coisa, e pouca gente sabe disso.

Antes de mais nada, vamos ler duas definições para o termo Pós-Modernismo:

Primeira definição:

pós-modernismo

  1. substantivo masculino
  2. hist.art hist.lit denominação genérica dos movimentos artísticos surgidos no último quartel do sXX, caracterizados pela ruptura com o rigor da filosofia e das práticas do Modernismo, sem abandonar totalmente seus princípios, mas fazendo referências a elementos e técnicas de estilos do passado, tomados com liberdade formal, ecletismo e imaginação; pós-moderno

(Retirada das definições do Google)

 

Segunda definição:

“Que o pós-modernismo é indefinível é um truísmo. Porém, ele pode ser descrito como um conjunto de práticas retóricas críticas e estratégicas empregando conceitos tais como a diferença, repetição, “o traço”, o simulacrum e a hyperrealidade para desestabilizar outros conceitos como presença, identidade, progresso histórico, certeza epistemológica e a univocidade dos significados.(…)

O termo “pós-modernismo” entrou pela primeira vez no léxico filosófico em 1979, com a publicação do “A condição pós-moderna”, por Jean-François Lyotard. (…) A seleção de outros pensadores para esta definição foi feita de maneira econômica. Apenas selecionei aqueles mais comumente citados em discussões do pós-modernismo filosófico, cinco franceses e dois italianos (…)

(…) existem fortes diferenças entre eles, e elas tendem a se dividir pelas linhas linguísticas e culturais. (…)

(…)Os franceses, por exemplo, trabalharam com conceitos desenvolvidos durante a revolução estruturalista em Paris nos anos 1950 e no começo dos 1960, incluindo leituras estruturalistas de Marx e Freud. Por essa razão, eles costumam ser chamados de “pós-estruturalistas.” (…)

(…) a ênfase [dos italianos] é fortemente histórica, e eles não exibem nenhuma fascinação por um momento revolucionário. Ao invés disso, enfatizam a continuidade, a narrativa, a diferença dentro da continuidade, ao invés de contra-estratégias e lacunas discursivas.

(…) Nenhum dos lados, no entanto, sugeriu que o pós-modernismo é um ataque à modernidade ou uma completa ruptura dela. Em vez disso, suas diferenças residem dentro da própria modernidade, e o pós-modernismo é a continuação do pensamento moderno de outro modo.”

Traduzido do Dicionário de filosofia da Universidade de Stanford:

http://plato.stanford.edu/entries/postmodernism/

 

Agora vamos ao texto.

 

Introdução:

 

Pós-modernidade e pós-modernismo são conceitos muito desenvolvidos, porém ainda representam um tema de amplo debate.

Há um enorme equívoco reproduzido por muitos a respeito do significado de Pós-Modernismo. Ocorre uma confusão sobre os teóricos que estudaram a estrutura moderna e pós-moderna (do marxismo ou até “pós-marxismo”, como Fredric Jameson), com teóricos que defendem a ideologia pós-moderna (os neo-liberais em geral, direta ou indiretamente, veremos o porquê). Aliás, cada vez mais este termo, que representa estruturas sociais de opressão mais sutis e adaptadas aos tempos atuais, vem sendo utilizado como acusação justamente aos movimentos sociais que se opõem radicalmente a estas estruturas, isso será discutido mais à frente no texto.

Quem ainda não estudou a obra de Fredric Jameson, uma das mais importantes sobre o tema, acredita, por conta de definições difundidas no senso comum, que o pós-modernismo é uma crítica irracional a respeito de uma modernidade que seria, nesta visão, uma estrutura social perfeitamente racional e humanista. Nada poderia estar mais distante da realidade, e não só distante das teorias frankfurtianas e também das marxistas, mas distante da realidade social concreta do que foi e é a modernidade. Na verdade, atestar um caráter plenamente racional e iluminista na modernidade é justamente o papel das estruturas pós modernas de mídia, que omitem defeitos daquilo que têm interesse em defender.

Vamos analisar essa ideia de perfeição atribuída á modernidade para melhor compreender ao que se opõem os movimentos sociais e o que a estrutura pós moderna visa defender, definindo, no decorrer do artigo, o que elas são. Marx pressupõe a necessidade de avanços sociais a partir do desenvolvimento da infra estrutura e da organização das massas. Mas no capitalismo, a organização das massas toma rumos muitas vezes alinhados a propaganda, que as convence que o liberalismo é um sistema natural, que melhor se adapta ás paixões humanas. Mas apesar da vasta técnica liberal econômica e política, manter uma lógica voltada ao mercado, que se adapta ás paixões, não necessariamente indica o caminho mais racional para gerir uma sociedade. O pós modernismo reconhece isso, e toma para si a irracionalidade e o apelo ás paixões como método para atingir os fins econômicos de quem esta ideologia interessa, os atuais detentores do grande capital financeiro, concentrado num grupo pequeno de famílias que propagam os ideais neo-liberais. Para isso, desenvolvem a estrutura pós moderna, com vasto poder de marketing, atingindo boa parte da sociedade e atraindo um grande número de adeptos do livre mercado, tendo como objetivo a concretização de um neo liberalismo globalizado, que entre outros atributos configura a lógica do capitalismo tardio, ou pós-modernidade.

Assim podemos definir melhor o que é o pós-modernismo, sua relação com a modernidade, sua presença na mídia contemporânea e expor seus teóricos, tanto os críticos quanto os desenvolvedores da estrutura pós-moderna.

Primeiro é preciso estabelecer o lugar comum em meio as confusões sobre o tema. O pós-modernismo de fato representa um irracionalismo, como muitos dizem, e também a quebra com valores humanistas. Mas seguiremos para ver que isso não se dá da forma que pensam, pois entre o moderno e o pós-moderno não há uma relação de oposição, mas sim de complementação. E o que parte idealmente dos movimentos sociais não é pós-modernismo, mas uma crítica e ativismo contra o pós-modernismo. Que ao invés de ver a rejeição aos valores iluministas por parte do pós-modernismo apenas, é preciso perceber que esta rejeição não nasce com ele, ela é herdada da própria modernidade. A ideologia pós modernista se forma enquanto um método de, ainda que contradizendo os ideais modernos do racionalismo, continuar defendendo os interesses daqueles que lucraram com a natureza concreta de uma sociedade cujos valores ideais iluministas não se encontram exatamente aplicados na realidade cotidiana da civilização em nome deles fundada. Os ideais iluministas, racionalistas e humanistas não foram amplamente difundidos na modernidade como os pensadores melhor intencionados planejaram que fossem, e a estrutura pós moderna de propaganda se forma para mantê-los mal aplicados, possibilitando a aceitação social do status quo em prol dos interesses da elite neo liberal. Isso é, frear os avanços sociais, sendo assim o oposto das demandas dos movimentos sociais em geral, principalmente em se tratando dos movimentos de esquerda.

 

É preciso analisar um fator crítico que compõe a modernidade, dentre outras facetas mais e menos racionalistas. Quando houve a revolução industrial, era senso comum que o método mais racional de produção seria o trabalho de homens e máquinas, sujeito á hierarquia tecnocrata e meritocrática, mas também sujeitos a herança burguesa dos meios de produção. A partir de então a técnica buscou se desenvolver para a melhor adaptação entre as necessidades de mercado e as necessidades mínimas de sub existência dos trabalhadores. Com o passar do tempo e o desenvolvimento tecnológico, a produção aumentou tremendamente.

Porém governos e formas de poder em geral, esperam que um povo educado comece a questionar seus métodos e as estruturas sociais nas quais este povo está inserido. Assim, era questão de décadas até que as estruturas tradicionais da modernidade começassem a ser questionadas. Por que avançamos tanto na produção, mas a exploração do trabalho permanece tão evidente e padronizada no mercado e nas relações sociais? Por que uma sociedade supostamente baseada na racionalidade e humanismo origina tantas guerras e conflitos de interesse, tanta desigualdade social? Marx escreveu que o avanço da super estrutura, ou seja, a cultura, a educação e por efeito a mídia, ocorre lentamente após o avanço da infra estrutura, a técnica dos meios de produção, o desenvolvimento industrial. Mas muitos aspectos da sociedade demoram muito a progredir, enquanto isso por que ocorrem tantos retrocessos?

A modernidade, que levou ao homem a ideologia de considerar suas estruturas capitalistas como as mais racionais e, comparada com o que a antecedeu, podemos dizer que isso não era ao todo equivocado, começou a ser questionada. Surgiram reflexões de que após décadas de ampliação industrial e econômica ainda permanecem tantos valores ultrapassados. Será que as próprias estruturas modernas não estariam se tornando ultrapassadas? Afinal Marx teorizou que o desenvolvimento da infra estrutura gera ao longo do tempo um desenvolvimento ou alteração na super estrutura, ou seja, o desenvolvimento industrial tenderia a fazer surgir uma sociedade com valores sociais, políticos e culturais mais avançados ou adaptados ao novo contexto que os precedentes.

Apesar de vários avanços sociais, efeito de movimentos populares cada vez mais presentes, uma pressão existia, por parte do poder econômico, de lutar contra estes avanços e explorar o quanto possível a sociedade. Não podemos falar de mão livre do mercado durante oligarquias, por exemplo, quando a regulação do mercado ocorre em prol dos interesses dos mais ricos.

Mas não foram aqueles que criticavam a modernidade que inventaram o “pós-modernismo”. O fenômeno pós-moderno foi fruto da própria modernidade, do mercado, do poder. Transformando as relações humanas em cada vez mais burocráticas, os indivíduos trabalhadores em números e tabelas.

A Comunicação Social sofreu profundas alterações. Qualquer forma de manipulação emocional da população se tornava regra. A partir da década de 60, a mídia tradicional servia aos propósitos não apenas político-partidários, no caso do Brasil serviam ao regime, mas também propósitos de mercado, o convencimento do povo quanto à normatividade do status-quo. Para essa ideologia pós-moderna, que buscava manter os avanços econômicos da modernidade, na mão dos que os detinham este tempo todo, era necessário convencer o povo do quão corretas eram as estruturas sociais por qualquer meio necessário.

Os teóricos: Desde o começo do século XX, houve os que criticaram lacunas da modernidade e o surgimento das novas estruturas de manutenção do poder financeiro e político. Há uma diferença entre teóricos da pós-modernidade, que estudam e escrevem acerca da pós-modernidade e modernidade, e teóricos pós-modernos, que defendem os ideais pós-modernos. Diante de muitas afirmações vazias sobre estes autores, vamos identificar o que conta de seus trabalhos brevemente sobre a modernidade e pós-modernismo. Vejamos alguns deles.

Jameson, a partir da década de 1980, faz parte de uma nova onda de pensamento crítico a respeito da modernidade e como estão surgindo as estruturas que buscam omitir os defeitos dela. À essas estruturas será dado o nome de pós-modernas, e os ideais e objetivos que regem essas estruturas, da globalização e capitalismo tardio, pretendem atingir a pós-modernidade. Aqui temos o momento histórico no qual países desenvolvidos passam da aplicação do sistema capitalista interno para a exploração da mão de obra em outros países. Não se trata meramente da globalização das propagandas, mas sim da expansão do sistema de exploração.

Os países em desenvolvimento se tornam alvos de potências estrangeiras, servindo a interesses de fora. E para possibilitar que essa globalização não sofra grandes oposições, formam-se estruturas pós-modernistas em diversas frentes. A frente de mídia, que difunde a ideologia da utilidade deste processo de exploração. As frentes políticas, unidas à mídia, agem para omitir as pautas conservadoras do alcance das críticas sociais. Leis conservadoras de apelo popular se tornam alvo das notícias, enquanto corporações se unem a partidos para passar, de formas mais silenciosas, pautas em prol de seus lucros, mesmo que à custa do bem estar dos cidadãos. A diferença entre o antes e o depois, uma vez que esse jogo político sempre existiu, foi como esses poderes precisaram se adaptar aos novos contextos sociais, onde o povo, organizado cada vez mais em movimentos, começa a ter maior acesso à informação e maior capacidade de ação. O objetivo das estruturas pós-modernistas é desviar o foco desses movimentos das pautas mais importantes para o lucro da elite financeira, movimentando, no jogo político, pautas relacionadas às tradições, à moral, com a mídia transformando o assunto em um show, mantendo o povo desinformado sobre economia. A mídia dá migalhas sobre a estrutura econômica, passando uma falsa sensação de percepção de contexto aos leitores e espectadores.

Walter Benjamin, pensando principalmente no cinema, desenvolveu sua teoria do poder e influência política da arte reproduzida na era da reprodutibilidade técnica, uma arte com o potencial de ser vazia enquanto enriquecimento social, mas com informações explícitas ou omissas em prol de políticas e ideologias, elas não trariam nenhum ensinamento, mas sim doutrinação, pura e simples. Havia a arte constituída de valores intelectuais, valores que, dentre outras coisas, formavam o que Benjamin daria o nome de Aura. Já a propaganda seria uma arte sem aura, ou nem mesmo arte. E agora, esta arte poderia ser imposta de maneira abrangente sobre o povo, nacional e internacionalmente, por meio das estruturas de comunicação.

Zygmunt Bauman nos diz que o meio é a mensagem. Os interesses reais de um meio de comunicação influem mais em seu conceito de verdade do que seus artigos jornalísticos particulares. O bom jornalismo é composto por visões diferentes sobre um mesmo tema. Mas os meios de comunicação pós-modernos irão bater na tecla parcial de um dos lados, e apresentar apenas migalhas do outro, para passar uma suposta imparcialidade. Com ele, aprendemos que a modernidade é fluida, adaptando-se aos contextos sociais, ao surgimento dos espaços virtuais, e a pós-modernidade não é uma crítica à modernidade, pois a crítica havia sido feita por análises ainda modernas. A pós-modernidade é uma ideologia que parte do poder, uma ideologia que busca dissecar as críticas à modernidade e omiti-las por mensagens doutrinantes de apelo popular.

Os modernos, desde o século XVII, trariam o questionamento “como é possível chegar ao conhecimento da verdade?”. Espinosa foi um dos que defendeu um método racional, e defendeu que a verdade não é exclusiva de um Deus onipotente, que ela podia ser atingida pelo homem.

Os pós-modernos, ao contrário do que se pensa, não são os que defendem que a verdade é relativa, eles são os que pregam isso, pois enquanto os modernos se perguntam como atingir a verdade, os pós-modernos se perguntam como omiti-la, uma vez que a verdade sobre o sistema capitalista é de que ele, acima de tudo, serve aos interesses de uma elite, com uma renda cada vez mais concentrada. Nada mais útil para distanciar o público da verdade, do que afirmando que tudo é verdade, ou nada é verdade. Na estrutura pós-moderna, o verdadeiro é o que for difundido pela propaganda, pela repetição, o verdadeiro é o que funciona, porém às vezes não existem várias tentativas diferentes (ou boas informações acessíveis sobre várias tentativas) para teor de comparação do que pode funcionar melhor. Logo, no ideal do pós-modernismo, o verdadeiro é o que melhor defende os ideais da elite.

Michel Foucault expunha isso, os jogos do poder, mais do que apenas dinâmicas econômicas, ele expunha na educação, nos métodos pedagógicos, em como se formava a mente da pequena burguesia que acataria aos valores pós-modernos. A ciência consiste no conjunto dos conhecimentos da humanidade acerca das diversas áreas, filtrados por métodos rigorosos. A priori, contando com a existência desses métodos rigorosos, esses conhecimentos se tornam neutros ideologicamente. Porém a aplicação desses conhecimentos, a técnica e a forma como eles são ensinados, pode “se sujar” novamente de ideologias, o darwinismo social é um dos exemplos mais citados de como um governo autoritário se apropriou de conhecimentos filtrados, adicionou desinformações sem métodos rigorosos para se adaptar a uma agenda ideológica.

A Ciência moderna existe, em sua rigorosidade extremamente necessária. As superstições existem, e devem ser combatidas pela conscientização para que não interfiram nos direitos de toda a sociedade. A ciência rigorosa com métodos racionalistas não é do interesse dos pós-modernistas, pois eles não pretendem pautar suas agendas na verdade científica, pelo contrário, pretendem passar supostas verdades científicas que se adaptem às suas agendas, isso é muito comum no campo da política. No jornalismo, onde não existe um método científico propriamente dito, mas sim a checagem de fontes, qualquer inverdade pode ser afirmada, se houver fontes suficientes a confirmando. Por isso, é mais fácil identificar o pós-modernismo atuando com desinformação cientifica do que no jornalismo, a desinformação científica é muito mais clara aos olhares céticos do que a desinformação jornalística, na qual as fontes muitas vezes são de difícil acesso aos interessados, e os grandes jornais se beneficiam muito desse poder sobre a origem das informações. O mesmo pode ocorrer na educação, na pedagogia, pois crianças e jovens raramente são estimulados ao olhar crítico sobre o que aprendem. A própria estrutura de ensino os faz tomar tudo o que lhes é ensinado como verdade, pode ser, pode não ser, e por isso os colégios servem tanto como ferramenta de desenvolvimento da sociedade, quanto, a depender dos interesses que regem uma determinada sociedade, como ferramenta de controle, doutrinação, manipulação.

 

Os movimentos sociais são pós-modernistas?

Então temos, por parte de muitas pessoas, a crítica aos movimentos sociais, acusando-os de serem “pós-modernistas”. Porém nada é mais contrário às estruturas e interesses pós-modernos do que a crítica social ao sistema. As demandas populares são uma luta ativa por mais direitos e, não importa o quão irracionalistas forem os argumentos por essas demandas, que muitas vezes são bem racionais, eles não podem ser considerados pós-modernistas, pois pelo contrário, vão diretamente contra as estruturas pós-modernas.

Os movimentos sociais mais atuais surgiram por essa necessidade de propor melhoras no sistema moderno, já o pós-modernismo surgiu para atestar que esse sistema não carece de mudanças organizacionais, mas apenas de desenvolvimento técnico. Os movimentos sociais não negam a necessidade de desenvolvimento técnico, mas no ponto de vista dos movimentos de esquerda, esse desenvolvimento precisa ser em prol do bem público, e não da elite detentora dos meios privados apenas. Esta elite que se beneficia de muitas lacunas no sistema moderno, lacunas que existem por ele não ser a aplicação puramente racionalista e humanista que seus mais bem intencionados fundadores planejavam que fosse.

O pós-modernismo não critica a modernidade, pelo contrário, ele omite seus defeitos, e a estrutura pós-moderna de mídia, e também os teóricos pós-modernistas, buscam afirmar que o sistema neo-liberal, a auto-regulação do mercado sem intervenção qualquer em prol da distribuição de renda e outras formas de agir para diminuir a desigualdade social, está funcionando da maneira que deve funcionar, que é natural de seu ideal de economia e da regência da civilização humana como um todo.

 

Conclusão:

A partir do trabalho de Jameson, portanto, percebe-se que nada interessa mais aos reais pós-modernos do que desviar o foco da crítica aos movimentos sociais, às demandas populares, ajudando no trabalho de ocultar os defeitos do sistema. É preciso compreender que mero irracionalismo nem de longe é o suficiente para configurar algo pós-modernista, pois o pós-modernismo é um fenômeno social de larga escala relacionado a dinâmicas de poder, e não opiniões bem ou mal elaboradas, mas sim opiniões emitidas com determinados objetivos de poder sobre toda uma sociedade, e não por uma demanda de direitos.

Movimentos sociais erram e acertam, pessoas se expressam muito bem ou muito mal, desde sempre. Existem teorias sobre o humanismo, umas são contra o humanismo por não se importarem de fato com direitos humanos, e isso se relaciona muito aos ideais pós-modernos que, como disse antes, transformam pessoas em números e tabelas. Mas  outras acreditam que o humanismo está ultrapassado por abarcar somente os direitos humanos, por exemplo algumas linhas ambientalistas, e isso não é pós-modernismo, mas sim uma busca racionalista. Bento Espinosa escreveu que nada é mais útil para um homem livre que outro homem livre, somando potências.

Não é estranho, em pleno século XXI, que algumas pessoas argumentem que nada é mais útil para o ser vivo, que outro ser vivo.  Enquanto a primeira ideia de quem é contra os direitos humanos aparece na estrutura pós-modernista, a segunda ideia é uma proposta de debate ético, muito relacionada à modernidade em si. Não se pode considerar pós-modernista tudo aquilo com o que se discorda, pois fazê-lo é justamente auxiliar na difusão do pós-modernismo, uma vez que ajuda a estrutura pós-moderna a desviar o foco de seus próprios e ambiciosos fins.

Jornalista com interesse nas áreas de filosofia, política, economia e ativismo social. Bastante convicto que não existe imparcialidade em nenhum meio de comunicação, declara sua posição em prol da ética e dos direitos humanos. Defende que o modelo econômico cartalista explica o real funcionamento da economia mundial, mesmo quando ortodoxos visam impor uma visão ilusória para defender, por trás dos panos, que a renda se dirija aos detentores das dívidas nacionais e do grande capital. Defende uma política socialmente liberal, que proteja os indivíduos das forças de mercado, totalmente oposto ao conservadorismo moral, político e econômico. A existência do comércio livre é desejável para os consumos variáveis do dia a dia, porém os bens de subsistência devem ser regulados firme e dignamente pela democracia, como bens da República. Saúde pública e Educação gratuita universal de qualidade, mídia livre e distribuição de renda até um nível de vida agradável a todos, isso deveria ser o básico do básico para guiar qualquer visão econômica. Infelizmente não é.

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