Comunicar pra revolucionar

Precisamos falar sobre suicídio

em Autocrítica/Comportamento/Direitos Humanos/Psicologia/Saúde por

suicidio1
H
oje à tarde recebi a notícia estarrecedora de que mais uma de nós havia partido. Carolina Gomes tinha 26 anos e era mais uma dentre as milhares de jovens mulheres brasileiras que lutam contra a depressão.
Para quem acompanhou o caso divulgado publicamente nas redes sociais, pôde perceber o tom sórdido vindo das declarações da própria família da vítima.
Em sua mensagem de despedida, Carolina dirige-se à mãe, a quem alega tê-la incentivado a tomar mais de cem comprimidos em tentativas anteriores. Vasculhando o histórico de Carolina e as alegações da própria família sobre o comportamento da jovem, percebe-se um indício alarmante que havia sido até então desconsiderado: o risco de morte entre pessoas que já passaram por tentativas anteriores é ainda maior. Infelizmente, estes indícios foram ignorados e tratados como “necessidade de chamar atenção” por parte de quem poderia ajudar a salvá-la.
Com a repercussão do caso e logo após confirmada a morte, os pais e o irmão da moça deletaram seus perfis no Facebook.

suicidio
Campanhas como o Setembro Amarelo trazem à tona o debate que até hoje é encarado como tabu, embora tão presente. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o suicídio é a 2ª maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, ficando atrás apenas das mortes causadas por acidentes de trânsito.

No Brasil, o índice de mulheres que morreram por suicídio (no último levantamento de 2012) foi de 2,5 / 100 mil, enquanto os homens atingiram taxas quase quatro vezes superiores, 9,4 por 100 mil habitantes. No entanto, há um aspecto interessante a ser considerado entre a morte voluntária e gênero: À primeira vista, os homens são os mais afetados pela morte voluntária, mas não é bem assim. Embora o índice masculino global seja duas vezes maior, chegando ao triplo em países desenvolvidos, as mulheres tentam em maior quantidade, mas os métodos utilizado pelos homens são mais letais (armas de fogo e enforcamento), o que impacta diretamente os números. Portanto, é preciso cautela ao tratar desse tipo de informação.

nojo5d

​Alguns sinais de risco que devem ser considerados:

Tentativas Anteriores;
Transtornos Mentais: (cerca de 90% das mortes voluntárias estão associadas a doenças mentais como depressão e transtornos de personalidade, dependência química e esquizofrenia);
Condições Clínicas Incapacitantes: (responsável pela maior taxa de suicídio entre idosos acima dos 65 anos.

familia jovem suicida
Cabe também ressaltar que a conduta da família de Carolina não foi apenas sórdida, mas criminosa. Induzir alguém ao suicídio é crime tipificado no art. 122 do Código Penal:

Art. 122 – Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
Parágrafo único – A pena é duplicada:
Aumento de pena
I – se o crime é praticado por motivo egoístico;
II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

jovem anuncia suicidio no facebook

Por último, é válida também a divulgação do número do CVV (Centro de Valorização a Vida) – Disque 141
http://www.cvv.org.br/

Dados:  BBC / ONU

Tags:

2 Comments

  1. Eu compartilhei o último post dela e sumiu da minha linha do tempo
    Tentei encontrar o face dela e não encontrei
    A família deve ter feito alguma coisa

  2. É alarmante como a psicofobia vem se tornado mais forte a cada ano e ninguém faz nada. No Brasil, duvido muito que uma pessoa seja presa por psicofobia e induzir alguém ao suicídio. Milhares de pessoas estão se suicidando exatamente porque não tem o apoio que precisa e essa mulher de 26 anos.. o caso dela é horrível. Quando você sofre preconceito de alguém que você não conhece, dói. Mas quando vem da sua própria família, isso te mata!
    Tive anorexia e bulimia em 2016 e consequentemente depressão, transtorno de ansiedade, transtorno do sono, dores ao tentar comer novamente e ainda sofri com muitos olhares dizendo que era pra chamar atenção, que isso era falta do que fazer…
    Hoje ainda sofro com a depressão e o transtorno de ansiedade, ainda estou fazendo terapia, ainda estou tomando remédios que aprendi a não odiar e sim vê-los como ajudadores.
    Gostaria de conversar com alguém, se quiserem entrem em contato comigo através do meu blog Liberta da Ana e Mia ou meu e-mail pessoal: gabrieleexana@hotmail.com
    A luta ainda não acabou. PSICOFOBIA É CRIME!!!

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Login

Registrar | Perdeu sua senha?
Vá para o INÍCIO