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Definições de pós-modernidade e pós-modernismo

em Ciência/Comunicação/Comunicação Social/Cultura/Direitos Humanos/Educação/Filosofia/Política por

A pós-modernidade é definida por um efeito do auge da “modernização”, e do fracasso dos meios racionais modernos no desenvolvimento do poder financeiro. O Pós Modernismo, para Jameson, é um conceito ligado ao de globalização, ou seja, são meios irracionais utilizados para infiltrar valores neoliberais e globalizar culturas, economias emergentes e meios políticos que ainda não foram totalmente colonizados pelo poder financeiro, uma vez que este desistiu de uma suposta racionalidade moderna para atingir seus objetivos. O século XXI vive, é preciso lembrar, entre os dois mundos: Por um lado, países ligados por uma forte estrutura econômica, forte no sentido de presente. Por outro, países que são alvos de anexação a esta estrutura.

Não é possível dizer que o processo de globalização já atingiu seu limite, longe disso. Países de terceiro mundo estão à margem e não atuam como agentes, mas sim como alvos desse processo, é neles onde multinacionais buscam mão de obra barata, concessões a preço de banana para explorar recursos naturais e escoamento dos produtos de baixa qualidade ou segunda mão.

Após a industrialização e o desenvolvimento tecnológico, a tecnologia avançada de produção  pertencia somente aos donos dos meios de produção. Hoje estes donos atuam como gerentes de um sistema cujas contas são pagas pelos consumidores. Os objetivos dos capitalistas se resumem ao lucro, mas não somente um lucro constante, eles buscam uma margem de lucro progressiva. Quando ocorre uma estagnação dos avanços financeiros, eles se preocupam, e decidem que precisam investir em formas de constantemente convencer a população a continuar consumindo, continuar acreditando e não se rebelar contra um sistema extremamente desigual.

A mentalidade pós-moderna deriva da compreensão mal intencionada das classes altas de que a razão, a ética, a valorização da liberdade, nada disso os trará lucro. O lucro se encontra na disseminação da ideologia de que consumir, por mais fútil que seja o produto, é ter sucesso na vida. De que beber refrigerante é “Beber alegria”, de que comer carne processada, frita, congelada, misturada e frita novamente é um “Lanche feliz”. Nenhuma dessas conexões é verdadeiramente lógica, senão pela lógica fabricada pelo marketing irracional, pós-moderno.

O termo pós modernismo adquiriu, na última década, vários novos significados. Grupos conservadores buscaram disseminar um conceito absolutamente vago de que pós modernismo se referia a pessoas com pensamentos irracionais. No entanto, a irracionalidade em si está longe de ser algo exclusivo da pós modernidade, pode-se até dizer que ela é mais antiga do que a razão, no intelecto humano. Essa nova definição de pós modernismo, voltada muito mais ao indivíduo do que à sociedade em si, pode até ser considerada como mais um agente pós moderno de infiltração de valores pró colonização, ou seja, a definição conservadora é pós modernista por excelência, ao voltar sua crítica aos movimentos sociais e os métodos de questionamento que estes movimentos criam.

Um movimento social critica a sociedade por ela ser injusta, os conservadores criticam o movimento social por ele ir contra a sociedade, afirmando que ir contra a sociedade é se opor à racionalidade e aos valores iluministas, porém não é a isso que os movimentos se opõem, mas sim à realidade dura da sociedade concreta, que pouco conseguiu, em sua desigualdade social, realizar qualquer valor de igualdade, para verificar isso, sugiro o livro “O Capital no século XXI” de Piketty. O iluminismo fez propostas interessantes para sua época, mas a passagem de poder foi de monarcas a burgueses, que hoje em dia formam uma minoria detentora da maioria dos recursos da humanidade, os movimentos sociais querem ver distribuição de renda, tratamentos iguais entre gêneros, fim do sexismo, racismo, homofobia, e tudo isso é extremamente ético e racional.

Outro grupo criticado pelos conservadores é justamente o dos teóricos que criticam essa mentalidade pós-moderna. As vozes de teóricos que em muito fundamentam demandas dos  movimentos sociais, são todos chamados de irracionalistas, relativistas e contra os ideais iluministas, essas três criticas são os três reducionismos praticados pelos conservadores para minar a influência social destes grupos sociais dentro até mesmo da própria esquerda, hoje em dia bastante influenciada por essa mentalidade conservadora.

Se por um lado pessoas como Deleuze, Negri, Chauí e até mesmo Žižek são chamados de “pós-modernistas”, é porque atuam num campo ideológico além das ideias fixas dos conservadores, que pregam o iluminismo, e da esquerda ingênua que acredita nestes conservadores, para ela, o mundo é racional, lógico, justo, igual, como propõe o iluminismo, como querem, os detentores do capital, que o povo se convença disso. É a esquerda que critica seus próprios movimentos sociais com uma apropriação do termo pós modernismo feita por conservadores que, intencionalmente ou não, estão a serviço do capital, e querem ver o fim dos ideais e lutas da esquerda. É ingênuo acreditar que a tecnologia, nas mãos de quem visa somente o lucro, será bem intencionada, ou nunca mal intencionada, onde os fins (lucro) justificam os meios. É ingênuo responder às críticas direcionadas a esses empresários com afirmações de que a tecnologia não faz mal, a tecnologia é benigna (ela é indiferente) e que a culpa da bomba atômica é do ser humano. E é ingênuo pois é desviar do debate dizendo exatamente o que as críticas dizem: A culpa é de fato do ser humano! Ninguém está culpando a tecnologia. Mas nenhum crítico valoriza o mais novo celular acima das vidas dos trabalhadores explorados para confeccioná-lo.

Nada é mais pós-moderno do que criticar os críticos da pós-modernidade com argumentos vagos como os três reducionismos: “os pós-modernistas são anti-iluministas, irracionalistas e relativistas”, três palavras que não podem ser simplesmente jogadas ao vento. Anti-iluministas (no sentido ético) são os valores dos pioneiros da pós-modernidade, que se pudessem escravizariam a humanidade inteira para obter lucro, se isso fosse eficiente.  Irracionalistas são os meios de convencer o povo de consumir produtos piores e mais caros a cada dia, irracionalista é atrapalhar e até mesmo derrubar uma democracia em outro país com medo de que ela se torne competitiva. Relativismo? É um conceito muito amplo cujas aplicações variam absolutamente entre si, em temas totalmente distintos uns dos outros, e para avaliar o sucesso de uma relativização é preciso um exemplo concreto. Não é possível dizer que todo relativismo é certo ou errado, é relativo.

Jornalista com interesse nas áreas de filosofia, política, economia e ativismo social. Bastante convicto que não existe imparcialidade em nenhum meio de comunicação, declara sua posição em prol da ética e dos direitos humanos. Defende que o modelo econômico cartalista explica o real funcionamento da economia mundial, mesmo quando ortodoxos visam impor uma visão ilusória para defender, por trás dos panos, que a renda se dirija aos detentores das dívidas nacionais e do grande capital. Defende uma política socialmente liberal, que proteja os indivíduos das forças de mercado, totalmente oposto ao conservadorismo moral, político e econômico. A existência do comércio livre é desejável para os consumos variáveis do dia a dia, porém os bens de subsistência devem ser regulados firme e dignamente pela democracia, como bens da República. Saúde pública e Educação gratuita universal de qualidade, mídia livre e distribuição de renda até um nível de vida agradável a todos, isso deveria ser o básico do básico para guiar qualquer visão econômica. Infelizmente não é.

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