Para uma agenda social em comunicação

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É preciso lutar pela democratização das comunicações e da mídia. Osvaldo León escreve sobre o Fórum Social Mundial e a luta do movimento em construir uma agenda social de comunicação. 

Para Osvald León, a democratização da comunicação é constrangida pela hegemonia neoliberal. A comunicação está nas mãos de megaempresas que atuam em determinados nichos do mercado. Estas empresas podem se promover mutualmente entre esses diversos ramos. 
O autor diz que são sete corporações que dominam o mercado mundial da comunicação: 
Disney, AOL-Time Warner*, Sony, News Corporation, Viacom e Bertelsman. 
León afirma que essas corporações sustentam o dogma neoliberal, o concentra a indústria da mídia nas mãos de poucos, sendo ainda seus princípios exclusivamente comerciais. Para ele, no futuro a informação será gratuita, porém banal e apenas aqueles que puderem pagar receberão informação de qualidade. 
Ainda diz: “A predominância da mídia em relação a outras instâncias de mediação social – partidos, sindicatos, igrejas, estabelecimentos educacionais etc. – é tal que estas, para conseguirem prevalecer, são obrigadas a apelar recorrentemente àquela”. 
No mundo neoliberal a “liberdade de imprensa” é, na verdade, “liberdade de empresa”. O autor diz que”a maior ameaça à liberdade de expressão é a conformação dos monopólios midiáticos de caráter comercial. León ainda nos lembra que para a mídia corporativas nós deixamos de ser cidadãos e viramos meros consumidores. O jornalismo é prejudicado porque a “fórmula vencedora” que vende mais jornais é a fórmula dos 3 “s”: sexo, sensacionalismo e sangue. 
O autor ainda diz: “Mais grave ainda, essa tendência, apoiada agora naquilo que se convencionou chamar de “indústria do entretenimento” e de “serviços de lazer”, apresenta-se como uma séria ameaça à diversidade cultural do planeta, tão grande é a erosão que sua expansão causa às culturas locais e tradicionais, na medida em que, basicamente, promove – e de maneira avassaladora – o estilo de vida e os valores culturais das potências econômica e politicamente dominantes, especialmente os Estados Unidos”. 
Para uma comunicação mais democrática, o autor propõe:
– Que todos reconheçam o direito à informação e liberdade de expressão (Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 19) 
– Lutar contra a censura. Defesa dos usuários de Internet e contra escuta telefônica, por exemplo.
– Criação de meios de comunicação públicos de caráter cidadão. A comunicação sob o controle da sociedade civil.
– Frear o processo de monopolização dos meios e sistemas de comunicação. 
– Incentivar uma informação diversa, plural e com perspectiva de gênero. Visar a sobrevivência de meios alternativos e independentes.
– Criar sindicatos para jornalistas
– Criar alianças com os movimentos dos consumidores, ou seja, dar voz aos consumidores.
– Desenvolver uma cidadania informada e crítica. Criar programas de “alfabetização midiática”. 
– Incentivar atividades de investigação.
– Abir um debate público sobre as consequências da monopolização da comunicação. 
Por fim, o autor diz:
“Seria ingênuo esperar que aconteça uma mudança a partir do interior do sistema; só nos resta apostar em uma grande mobilização cidadã para modificar o curso dos acontecimentos” 
*Hoje em dia é apenas Time Warner

Jornalista em formação. Fundadora da Ou Seja e blogueira. Meio Lia, meio Lua, prefere flores no cabelo a diamantes no pescoço.

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