“O poder não emana do povo, ele emana de Deus”, diz deputado do PSOL

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“Todo o poder não emana do povo, o poder emana de Deus, que exerce de forma direta e também através do povo. Desta forma nós vamos nos tornar uma grande potência, Deus está no controle de todas as coisas e todos os joelhos se dobram a Jesus.”

Não foi um membro da bancada Evangélica, foi um Deputado do PSOL. Benevenuto Daciolo Fonseca, 38, ou Cabo Daciolo, acusado de ser uma das lideranças de uma greve dos bombeiros em 2011, havia dito que sua eleição foi um milagre, uma vez que não obteve nenhum apoio de seu próprio partido em RJ para ser eleito.

O Cabo quer alterar o artigo 1º da constituição para se tornar papa do Brasil, indo contra o artigo 19, parágrafo III:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

O povo de Jesus existe e deve ser defendido, sr. Deputado, mas não é o único povo do Brasil, e não pode ser tratado como o povo “escolhido” quando se está fazendo política.

E agora, de dentro de um dos partidos que mais levanta bandeiras progressistas, de defesa das minorias e dos Direitos Humanos, assim como nós da Ou Seja, está saindo um fruto fundamentalista e teocrata. Para ele, nós todos devemos dobrar nossos joelhos à sua religião. Pela internet se vê dizer “Um Bolsonaro no PSOL”, e quem sabe seja.

O Deputado se filiou próximo ao momento das campanhas e deu uma bela mascarada progressista em seu lado conservador, para ser admitido dentro do PSOL. Agora eleito, não segue as orientações do próprio partido, e não tem vergonha de admitir isso pelo facebook:

“Me reservo o direito de não trazer para minha ação política o debate que hoje mobiliza setores do meu partido, o Psol e o deputado Jair Bolsonaro. Não fui chamado pelo Psol e por nenhum outro setor a debater e preparar campanha pela cassação do mandato do deputado Bolsonaro. Se isso tivesse ocorrido, mesmo achando as posições deste erradas, não concordaria. Acho a tática equivocada, inclusive eleitoreira”

Ou seja, o sujeito entrou no partido sem a mínima consideração pelas causas do PSOL, sem nem mesmo se preocupar com o que o resto do partido pensa ou defende, quando sabe-se que se trata de uma visão política absolutamente oposta à do Cabo.

Jornalista com interesse nas áreas de filosofia, política, economia e ativismo social. Bastante convicto que não existe imparcialidade em nenhum meio de comunicação, declara sua posição em prol da ética e dos direitos humanos. Defende que o modelo econômico cartalista explica o real funcionamento da economia mundial, mesmo quando ortodoxos visam impor uma visão ilusória para defender, por trás dos panos, que a renda se dirija aos detentores das dívidas nacionais e do grande capital. Defende uma política socialmente liberal, que proteja os indivíduos das forças de mercado, totalmente oposto ao conservadorismo moral, político e econômico. A existência do comércio livre é desejável para os consumos variáveis do dia a dia, porém os bens de subsistência devem ser regulados firme e dignamente pela democracia, como bens da República. Saúde pública e Educação gratuita universal de qualidade, mídia livre e distribuição de renda até um nível de vida agradável a todos, isso deveria ser o básico do básico para guiar qualquer visão econômica. Infelizmente não é.

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