O Mundo não está Piorando

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      Quando somos crianças, todo mundo adora a gente. Somos protegidos por todos. Todos brincam conosco, todos nos dão comida. Nossos inimiguinhos são amplamente perdoáveis.

      Nossos amiguinhos, nós mesmos e os outros mudamos, conforme envelhecemos.

      Na juventude, descobrimos as delícias do mundo, mas ainda superprotegidos. Ficamos encantados. O mundo é lindo e perfeito. Então, as ilusões começam a ser desfeitas. Já não somos tão bem vindos. Nossos inimiguinhos são mais poderosos, menos perdoáveis. Isso é nada perto da competição, do mercado de trabalho, da “útil para os outros” xenofobia contra nós. Não nos darão comida, nem um lugarzinho para dormir. Não dirão que somos bonitos ou inteligentes.

      Na vida adulta, nos tornamos “eles”, aqueles que nos agrediram, numa tentativa desesperada de frear o mal com o mal, a agressão com a agressão, o ódio com o ódio ou, pelo menos, mostrar que podemos, como uma ameaça.

      Na velhice já vimos tanta coisa, estamos tão frágeis. Como não ver o mundo com amargura? Como ter esperança? Alguns conseguem. Devem ter algum problema.

      A consequência do amadurecimento é achar que o mundo está ficando mais violento.

      O mundo não mudou. Nós mudamos.

      Esta percepção deformada de mundo nos faz pensar que nossos líderes são os culpados de uma crise que está piorando, sempre piorando, nunca melhorando. Se fosse verdade, já teríamos virado homens das cavernas novamente, pois, no Brasil, a crise é eterna, existiu desde sempre. Se crise signfica um período ruim entre períodos bons, nós nunca estivemos em crise.

      Apesar do que dizem as nossas percepções limitadas pessoais, o mundo e os países estão melhorando, mas de forma variável. Há períodos de grande melhoria. Há períodos de pouca melhoria. Também há períodos de degradação.

      Boatos sobre o fim do mundo encontram ambiente extremamente fértil nessa nossa percepção pessoal, popular, natural e limitada de mundo. Vender a idéia de um mundo melhor no além é mais fácil quando estão todos pensando que este mundo está acabando. Então, forçar as pessoas a aceitarem essa visão tão limitada de que o mundo está piorando e, por isso mesmo, acabando é lucrativa para os charlatões da fé, mas não para as pessoas boas da fé, que não precisam acreditar no fim do mundo para imaginar um mundo melhor no além.

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