O maior desastre natural da história do Canadá

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A cidade de Fort McMurray acordou no domingo, dia 1º de maio, com o maior incêndio da história do país. Os 100 mil habitantes foram evacuados da região e dezenas de milhares deixaram o local em mais de 300 voos para Edmonton, a capital da província de Alberta, no Canadá. O fogo consumiu mais de mil km² de florestas e uma área total maior do que a cidade de São Paulo, com cerca de 1,6 mil km² de extensão. A fumaça foi vista do espaço, chegando a cobrir parte dos EUA. Apesar de catastrófico, não foram registrados mortes e as causas do fogo ainda não foram apuradas.

A fumaça do incêndio ocorrido no Canadá foi vista do espaço.
A fumaça do incêndio ocorrido no Canadá, que durou mais de 40 dias, foi vista do espaço.

Caos urbano
O incêndio de Fort McMurray, o maior desastre da história do Canadá, foi apelidado de “a besta”. Durante os primeiros dias, milhares de pessoas permaneceram em abrigos de emergência ou campings e receberam suporte e doações de roupas e produtos de higiene da Cruz Vermelha. Outras milhares de pessoas formaram caravanas pelas estradas, onde ficaram confinadas por conta do avanço do fogo, não tendo conseguido seguir viagem para outras localidades. Somente dias depois da tentativa frustrada, obtiveram ajuda da força policial para atravessar a cidade. As imagens da operação de salvamento foram transmitidas ao vivo pela televisão: trincheiras separadoras foram feitas às margens da estrada e três helicópteros da Força Aérea sobrevoaram a rodovia, encarregados de dar o alerta, caso as chamas se aproximassem demais das caravanas, ou voltassem a interromper a passagem na estrada.

As forças policiais além de advertir sobre o avanço do fogo, tinham também como missão evitar que algum motorista sob tensão abandonasse a caravana ou tentasse voltar para sua casa para recuperar algum objeto esquecido.

O maior desastre natural da historia do Canadá, foi apelidado de "a besta"
O maior desastre natural da historia do Canadá foi apelidado de “a besta”.

Ajuda militar
No final do mês de maio os ventos e a garoa atenuaram a expansão do fogo, embora alguns focos de incêndio permaneçam de forma esparsa. Quase dois mil bombeiros canadenses, e mais 300 vindos da África do Sul estiveram envolvidos nos resgates e suportes aos moradores.

Eles também tinham como função abrir clareiras em torno dos locais incendiados para evitar que os ventos espalhassem as chamas. Foram usados 161 helicópteros, 29 aviões-tanque e 377 escavadeiras e outras máquinas pesadas, durante a missão de atenuar, conter ou apagar o fogo.

Após os primeiros dias do grande incêndio, os bombeiros foram mobilizados também para a preservação das estruturas vitais da cidade como eletricidade, gás, água e telecomunicações.

Bombeiros lutam contra incêndio em Landing Franklin em Fort McMurray, Alberta. Segunda-feira, 6 de junho de 2016. Foto de Ian Kucerak/Postmedia Rede
Bombeiros lutam contra incêndio em Landing Franklin em Fort McMurray, Alberta. Segunda-feira, 6 de junho de 2016. (Foto de Ian Kucerak/Postmedia Rede)

Estado de Emergência
Wood Buffalo está avaliando uma possível lei municipal que conferiria poder extraordinário ao governo para controlar, conceder ou revogar a entrada de pessoas nos bairros atingidos. Estando em estado de emergência, há a necessidade de demolição completa dos remanescentes estruturais e limpeza posterior. O projeto de lei demonstra a intenção de proteger os cidadãos nos quesitos saúde e segurança. Os que infringirem a lei poderão receber uma multa, que deverá ser afixada em torno de mil a dez mil dólares.

A municipalidade também está disponibilizando um e-mail exclusivo para que os cidadãos possam solicitar segunda via de documentos diversos, principalmente os relativos às propriedades, para que seja possível acessar o seguro do imóvel.

Recomeço
Fort McMurray é a maior comunidade de Wood Bufalo, em Alberta, a quarta província mais populosa do Canada. É também o centro econômico mais importante, onde estão as jazidas de ‘oil sands’, ou seja óleo bruto extraído de arenito.
A reconstrução da cidade deverá ter um custo de nove bilhões de dólares e com a destruição das estruturas das indústrias petrolíferas quase um bilhão de dólares serão gastos até o reestabelecimentos das extrações.

Segundo o Jornal Fort McMurray Today, desde o dia 10 de junho, o YMM, o aeroporto local, que estava fechado há mais de um mês, voltou a funcionar, e todos os voos até o dia 14/07 já estão lotados. O prédio ficou intacto, graças à limpeza das árvores do entorno feita em 2014, o que dificultou a expansão do fogo no local. Apenas precisou de limpeza das cinzas e fumaça que aderiu ao prédio.

Apesar das perdas financeiras decorridas do evento, as empresas de aviação estão oferecendo descontos para receber de volta os residentes, contribuindo com o esforço de recuperação da cidade. A prefeita de Wood Bufalo, Melissa Blake, disse em um comunicado de imprensa, no dia da abertura, que o aeroporto é uma parte vital do plano de re entrada em Fort McMurray e de grande importância na restauração de serviços essenciais para os residentes. Segundo Blake, preocupada com a restauração da economia local, a ideia é enviar um sinal claro de que Fort McMurray e toda a região de Wood Buffalo estão de volta aos negócios.

No terminal, familiares e amigos se abraçam depois de dias de grande tensão. Diante da constatação da destruição que ficou,muitos não sabiam o que pensar.
“Eu não tenho certeza de como eu me sinto. Voltando e vendo parte da área é que você percebe a escala da devastação do fogo”, disse Sina Ashour, assim que desceu do primeiro voo. Hannan Aslam, que estava no voo com Ashour, também não soube definir suas emoções. “Estou tendo sentimentos mistos sobre o fato de estar em casa”. Waylon Crewe disse que estava animado: “Eu nem procurei saber se o meu lugar ainda está lá…  eu não queria azarar nada.”

Diante do que sobrou, o importante agora é pensar no recomeço...(Foto: Reuters/Jason Franson/Pool/File Photo)
Diante do que sobrou, o importante agora é pensar no recomeço…  (Foto: Reuters/Jason Franson/Pool/File Photo)

Gratidão
Segundo a colunista do Fort McMurray Today, Theresa Wells, é importante lembrar as batalhas travadas pelos bombeiros e socorristas, que enfrentaram os desafios enquanto todos fugiam do fogo. Ela assinala que eles foram heróis e que todos deveriam ser gratos pela coragem e pelos sacrifícios que enfrentaram por todos, pois eles representaram a linha tênue entre a perda de tudo e a manutenção da comunidade.

Ela lembra também os que ficaram para dar alimentos, café e um canto limpo para que os bombeiros pudessem descansar entre os momentos de batalha contra o fogo. Relata sobre os grupos que promoveram resgates de animais, e como eles tiveram apoio de outras pessoas na internet para achar lares adotivos para os pets. Cita as companhias que ofereceram todo o tipo de descontos, desde roupas a acomodações, e o quanto isso comprovou o compromisso destas empresas com a localidade e as pessoas. Assinala também que foi crucial a rápida resposta governamental à situação, e toda a transparência e ágil comunicação durante as ações que se seguiram à catástrofe.

“A nossa região experimentou o tipo de evento que a maioria de nós gostaria de pensar que acontece com outras pessoas, mas neste caso aconteceu conosco. Foi um momento de parar o coração, algo que mudou nossas vidas e nossa história. Mas o que aconteceu durante e após o incêndio pode muito bem ter sido o verdadeiro momento de definição para todos nós.”
Após ter testemunhado tantos atos de generosidade e compaixão no meio de uma grande crise, Therese conclui: “A gratidão pode ser um substantivo, mas ser grato deve ser um verbo, o tipo de palavra de ação que obriga você não só a partilhar sua gratidão com os outros, mas para replicar os atos que nos levaram a ela em nossa própria vida. A melhor maneira que podemos expressar nossa gratidão por toda a bondade recebida, é demonstrar compaixão e empatia aos outros, tanto dentro da nossa própria comunidade quanto fora dela, para o resto de nossas vidas.”

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Moni Abreu
Moni é escritora, educadora ambiental, livre pensadora e sobrevivencialista.
E … salve-se!


Pesquisa e artigo de Moni Abreu, A Sobrevivencialista

Este texto também foi disponibilizado no Blog UseMilitar e na Revista Kombate, onde a autora publica como colunista externa.

O que podemos aprender com o evento que mudou a vida de 100 mil pessoas da noite para o dia?
Cinco lições sobrevivencialistas: aprendendo com o incêndio do Canadá

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Acesse a matéria anterior, publicada em 05/05/2016, durante o início do incêndio,: Militares auxiliam civis durante incêndio no Canadá

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