Nazismo é de esquerda ou de direita?

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Quando vozes do nazismo ressurgem em cantos por aí, ressurge o debate: nazismo é de direita ou esquerda? 

Qualquer definição histórica, política, é uma forma de categorizar e tipificar comportamentos individuais ou de massa de momentos específicos, podendo seguir uma auto-declaração dos movimentos envolvidos ou uma categorização externa. Se você percebe se encontrar em uma categoria cuja movimentação levou ao extermínio de milhões, então é preciso, no mínimo, uma auto-crítica ou dos fins ou dos meios, muitas vezes de ambos. Visto que dentro da direita e da esquerda existem pessoas dispostas a matar, e pessoas contra a violência. Sendo mais preciso, Stalinistas e PSOL, nazistas e… Mises? Uma direita pacifista do tipo de Liberalismo que explora e deixa morrer de fome ao invés de exterminar? Desde que seu país seja luxuoso, de que importa o país de terceiro mundo que exporta a matéria prima, não é mesmo?

Historiadores em geral e testemunhas do regime concordam que o partido nazista era tradicionalista, extremamente elitista, anti-imigrantes, homofóbico, racista, anti-semita e minorias em geral. Concordam pois isso era bastante evidente. Tão evidente, que o partido Comunista e seus adeptos foram as primeiras vitimas de Hitler e sua polícia ideológica, bruta, combinando letalmente com leis extremamente autoritárias. A primeira questão que penso é: Independente de sua religião, você acredita que os seres humanos possam ter nascido para viver em um regime assim? Creio que não.

Os nazistas eram acima de tudo oportunistas. A propaganda do partido o dizia nacionalista, mas a definição de “nação” que viria depois era bastante meticulosa sobre quem era alemão e quem não pertencia. Penso em como o Brasil é um país com pessoas de todo o mundo. O partido nazista se dizia dos trabalhadores, mas ou se trabalhava pelos objetivos dos governantes, inclusive dominar o mundo, ou também não pertencia. E isso se fosse parte do que consideravam a “raça superior”. Se dizia um partido socialista, mas é melhor aceitar e participar do que era considerado ser social, sendo submisso e não subversivo ou você também não pertencia. Estatizou empresas, mas não socializou os lucros para o povo, estes eram direcionados para a produção de armamentos usados na segunda guerra. Não. O Reich não era socialista, de esquerda, obviamente não era democrata, algo que tanto a direita quanto a esquerda brasileira, em sua graciosa maioria, tem em comum.

Os nazistas seguiram a tradição imperialista do partido, evidenciaram isso com o nome “Reich” alemão. Ou seja, claramente não eram uma direita liberal, também longe de um comunismo ético, de soma de potências e autonomia humana e bons encontros, que o racionalismo debate desde sua fundação, tanto quanto não era uma república, uma esquerda liberal politicamente e socialista em sua produção. A propaganda nazista tomava para si o que lhe fosse útil conceptualmente, políticamente. Fica mais e mais evidente que a cultura de seus líderes definitivamente não era marxista, nem liberalista tanto de Adam Smith quanto John Locke. Era uma monarquia bastante autoritária e terrível, uma elite política vivendo em absoluto luxo, grandes salões e constantes bailes com uma burguesia composta do resto dos adeptos da elite do partido, os “empresários” na Alemanha do começo da guerra que tomaram o lado nazista. A cultura nazista era contra todas as pessoas diferentes, e seus defensores não ficavam só no discurso.

Ser fatalmente contra uma minoria é praticamente uma definição universal de fascismo. Ainda mais evidente quando a minoria está rendida, submissa, inofensiva ou simplesmente absolutamente amplamente civil em suas manifestações. Este autoritarismo permeia os governos cujo poder de decisão é por demais centralizado em indivíduos. Daí a importância de uma Constituição Nacional desenvolvida pelo maior número de contribuições e representações da sociedade o possível, eis a importância absoluta da democracia direta, não apenas representativa, mas também participativa, uma mídia composta de muitas vozes independentes e uma pedagogia de Educação horizontal, diversificada e bem investida, pois isso tudo impede a vinda de um regime fascista como o nazismo.

Cuidado com o poder aparentemente “imparcial” dos poucos e grandes meios de comunicação brasileiros. Da última vez que houve uma ação participativa de um monopólio de mídia na política brasileira, um governo democrático caiu, e muitas leis criadas de forma representativa mas não participativa protegem uma grande organização com objetivos próprios e não populares, elitistas e não nacionalistas, não exatamente liberais, pois mantém leis que ditam sobre a vida e corpo individual dos cidadãos e cidadãs, muito menos de esquerda, pois socializam os frutos de um golpe entre suas contas de banco e caixas de dinheiro em apartamentos.

Jornalista com interesse nas áreas de filosofia, política, economia e ativismo social. Bastante convicto que não existe imparcialidade em nenhum meio de comunicação, declara sua posição em prol da ética e dos direitos humanos. Defende que o modelo econômico cartalista explica o real funcionamento da economia mundial, mesmo quando ortodoxos visam impor uma visão ilusória para defender, por trás dos panos, que a renda se dirija aos detentores das dívidas nacionais e do grande capital. Defende uma política socialmente liberal, que proteja os indivíduos das forças de mercado, totalmente oposto ao conservadorismo moral, político e econômico. A existência do comércio livre é desejável para os consumos variáveis do dia a dia, porém os bens de subsistência devem ser regulados firme e dignamente pela democracia, como bens da República. Saúde pública e Educação gratuita universal de qualidade, mídia livre e distribuição de renda até um nível de vida agradável a todos, isso deveria ser o básico do básico para guiar qualquer visão econômica. Infelizmente não é.

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