Música para incluir

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Projeto social do Forte de Copacabana auxilia jovens de comunidades carentes a desenvolverem habilidades musicais 
 
Jovens da Orquestra Violões do Forte de Copacabana e os responsáveis: regente Paulo Pedrosa, técnico Nilton Oliveira, diretora executiva Márcia Melchior e soldado Ronaldo Barroso (Foto: Lia Ferreira)
“Os canhões já não atiram balas militares. Hoje, atiram balas de cultura, música e cidadania”: o slogan da Orquestra Violões do Forte de Copacabana traduz em poucas palavras o intuito do projeto. A iniciativa começou em 2011, quando Márcia Melchior, então diretora de uma orquestra da Zona Norte, resolveu apresentar seus pupilos no Forte. Envolvida com o talento dos jovens, Melchior propôs ao comandante do local, o Coronel Afonso Henrique Ignácio Pedrosa, que juntos iniciassem um projeto de inclusão social para as comunidades do entorno, como Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Babilônia, Chapéu Mangueira e Santa Marta.

PERFIL
A Orquestra Violões do Forte de Copacabana é uma iniciativa do Instituto Rudá, do Forte de Copacabana, do Exército Brasileiro, da Fundação Habitacional do Exército e da Poupex. Apoio cultural da POUPEX, Oi e da Rio Ônibus.
A Orquestra ensaia três vezes por semana no Forte de Copacabana e conta com o apoio de professores voluntários.
● Direção Executiva
Márcia Melchior
● Direção musical
Antônio Carlos Marques Pinto
● Arranjos e regência:
Flávio Goulart de Andrade e Paulo Pedrosa
● Padrinho
Dr. Francisco Horta, Vice Presidente da ACRJ – Associação Comercial do Rio de Janeiro

“Ele vibrou com a ideia”, revela Márcia. A partir de então, procuraram talentos para que o maestro Flávio Goulart de Andrade e o músico Antônio Carlos Marques Pinto, da dupla Antônio Carlos e Jocafi, avaliassem. Como não acharam interessados suficientes para compor a Orquestra apenas com violões, optaram por inserir viola, cello, violino, flauta e outros instrumentos. Desde então, os jovens músicos contam com vasto currículo. Em dois anos, já tocaram em diversos eventos socioculturais do Rio de Janeiro. Destaca-se a ocasião em que se apresentaram junto com Filarmônica de Viena. A parceria deu tão certo que Viena doou alguns instrumentos para o Forte. Eles também se apresentaram no Rio+20 e recepcionaram o Papa Francisco. “O Papa desceu dentro do Forte de Copacabana, no campo de Marte, e esperamos na pracinha. Quando ele passou, as crianças tocaram Ave Maria do Morro, do Herivelto Martins. Ele (o Papa) as abençoou e elas ficaram em emocionadas”, conta Márcia.
 
Muitas emoções
Para além da bela música e do talento evidente, os jovens da Orquestra convivem todos os dias com belas histórias de dedicação e superação.
Ao ser indagada sobre situações inusitadas, Márcia não esconde o brilho dos olhos e as lágrimas. “Eu me emociono com eles todos os dias. Principalmente em representações. A primeira vez que eu fiquei muito  impressionada com eles foi naquela época em que todo mundo passou o ano comentando que o mundo ia acabar dia 21 de dezembro, então tinha aquela história […]. Um rapaz me emocionou porque eu entrei na sala e ele estava dizendo pros outros garotos que se o mundo fosse mesmo acabar, no dia 21 ele viria correndo pro Forte porque tinha certeza que aqui não ia acontecer nada de ruim com ele. Aí eu falei: meu Deus, o que é isso? De onde ele tirou isso? Porque na cabeça dele aqui ele se sente seguro. Aqui é uma segurança pra cabeça dele. Eu saí em prantos”.
De fato, a Orquestra Violões do Forte de Copacabana é um verdadeiro caleidoscópio de simpatias, sensibilidades e talentos.
Futuro
A Orquestra pretende formar grandes oficinas de músicas para dar espaço aos iniciantes. As oficinas acontecerão pelo menos três vezes por semana. “A gente faz um trabalho bonito. O nosso forte é MPB. A ideia é resgatar a Música Popular Brasileira, aqueles compositores esquecidos”, conclui Márcia.

Jornalista em formação. Fundadora da Ou Seja e blogueira. Meio Lia, meio Lua, prefere flores no cabelo a diamantes no pescoço.

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