Mulheres articulam protesto contra cultura do estupro no Agreste alagoano.

em Acessibilidade/Feminismo/Notícias por

13339506_525502734300157_8210920576264069933_n

No Brasil, a cada 11 minutos, uma mulher é vítima de estupro de acordo com os dados do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Recentemente, lidamos com o caso de uma jovem de 16 anos que foi estuprada coletivamente por trinta homens no Rio de Janeiro.Não obstante, os casos de estupro e violência contra a mulher não se resumem a acontecimentos como este, onde expressam a mais bruta e explicita violência. A violência contra a mulher se manifesta de várias formas e a isso chamamos de “cultura do estupro”

Há semanas, milhares de mulheres protestaram em diversas cidades contra a cultura do estupro, que culpabiliza a vítima e isenta os abusadores.  A série de mobilizações se intensificou após o caso do estupro coletivo sofrido pela adolescente no Rio de Janeiro que impactou todo o país.

Segundo informação da Revista Carta Capital: No Rio de Janeiro, a marcha reuniu mais de duas mil mulheres no centro da cidade. As manifestantes levaram cartas com dizeres como “não é não”, “o machismo mata”, “se trata de violência, não de sexo” etc. As mulheres caminharam pela Avenida Presidente Vargas.

Diante deste cenário, mulheres em Arapiraca – Agreste alagoano – se reunirão no próximo sábado (04/06/16) em ato pelo fim da cultura do estupro intitulado de “Por Todas Elas”, fazendo parte de uma campanha de nível nacional.

De acordo com Rosely Lúcio, fotógrafa, mulher e uma das organizadoras do ato: “o momento em que estamos vivendo, onde a informação está a um clique e todo tipo de notícia pode se tornar viral, conseguimos ter ciência do que ocorreu com uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro, a qual foi violentada por 33 homens. E apesar do fato ser estarrecedor, infelizmente podemos presenciar inúmeras pessoas a julgando e culpando… O que não é natural. Sabemos que ninguém merece ser estuprada, e é essa a nossa mensagem. Precisamos desconstruir essa ideia de que roupa, álcool, baile funk, justifica o abuso sexual. Somente em 2014, o  número de casos de estupros denunciados foi de 47,6 mil. É necessário conscientizar e desnaturalizar um crime em que normalmente a vitima é vista como culpada. O ato será uma demonstração de que não nos calaremos, não nos curvaremos, estamos aqui pra lutar por todas. É o momento em que a voz do coletivo será feminina. Estamos abrindo espaço para que as mulheres se sintam representadas. E a luta não para, a luta continua, para que um dia, fatos como o estupro coletivo no RJ sejam apenas história.”

Posto o atual palco de instabilidade política, redução de direitos sociais, intolerância e violência exacerbada, questionamos Rosely se tal contexto contribui para o aumento de casos como o já citado: “Não diria que contribui para o aumento, mas que contribui para a manutenção. Esse é um dos motivos de chamarmos ‘Cultura do estupro’. Pois não há projeto para combater o abuso sexual, e sim, projetos para penalizar após o crime ser cometido. Porém, de acordo com esses projetos, nota-se que fica de lado o fato que estupro não é questão de sexo, e sim, de violência. Além do que, infelizmente, ainda há o viés de que normalmente a mulher, quando toma coragem de denunciar, é intimidada e forçada a passar por situação que não merece, como ser questionada se ela não estava mesmo “procurando” por aquilo. Então eu diria que o que falta no nosso sistema político são projetos e programas de combate a violência sexual. Precisamos evitar o estupro e não apenas agir depois de ocorrido.”

 

13344602_822660301168030_3641615633267837154_n

“Nossa mensagem é que não toleramos a cultura do estupro, é que não aceitamos uma mulher ser violentada a cada 11 minutos, é que não nos calaremos diante do que aconteceu com uma de nossas irmãs.

Vamos protestar e não vão nos parar, vamos gritar e não vão nos calar, vamos lutar e não vão nos impedir.
É por Beatriz, que foi violentada por 33 homens, é por Maria, que foi abusada sexualmente pelo patrão, é por Carol, que teve seu corpo molestado enquanto estava bêbada, é por Aline, Francisca, Amanda, Diana, Rebeca, Viviane, Laura, Joana, Vanessa, Flora, Wilma, Gabriela, Bianca… É por todas elas, é por todas nós!

Levem seus cartazes, tintas e vozes. Vamos fazer barulho!

Até lá!”

(Texto e imagem extraídos de Por todas Elas- Arapiraca https://www.facebook.com/events/279809629024019/)

Acadêmica em História pela Universidade Estadual de Alagoas, membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UNEAL) e Grupo de Estudos Feministas Dandara-UNEAL, amo gatos e café com canela, feminista interseccional, filha de Obaluayê e Yansã, e nordestina.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*