Jurema Sagrada: da cultura popular às Universidades.

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Mestre Popular Alex de Xangô compondo banca de TCC em Psicologia.
Mestre Popular Alex de Xangô compondo banca de TCC em Psicologia na Universidade Federal de Alagoas.

 

No ultimo mês Julho de 2016, o Mestre Juremeiro, Babalorixá e Mestre de Cultura Popular Pai Alex de Xangô, compôs a banca de estudiosos da Universidade Federal de Alagoas para analisar o TCC em psicologia, da estudante Izabella Barbosa, intitulado “Firmei Meu Ponto: Possíveis Análises do Culto da Jurema Sagrada a Partir da Memória Cantada”.

A participação do Mestre Juremeiro, Babalorixá e Mestre de Cultura Popular Pai Alex de Xangô, evidencia os avanços conquistados com muita luta ao longo da história pela população afro-indígena nas Alagoas. Não é prática comum as Universidades abrirem suas portas para receber as populações que foram historicamente marginalizadas, infelizmente, a Universidade ainda é um espaço elitista repleto de racismos e demais violências que utiliza um discurso disfarçado de conhecimento científico para continuar excluindo os grupos socialmente minoritários, desprezando suas tradições e identidades.

Mestre de Cultura Popular, Juremeiro e Babalorixá Alex de Xangô espalhando a força da Jurema Sagrada na entrada da UFAL.
Mestre de Cultura Popular, Juremeiro e Babalorixá Alex de Xangô espalhando a força da Jurema Sagrada na entrada da UFAL.

O significado que possui a participação do Mestre Alex de Xangô em uma banca avaliativa e o próprio tema trabalhado pela estudante de Psicologia Izabella Barbosa, não se faz unicamente afetivo por se tratar de uma tradição religiosa é também político, histórico e cultural, que ultrapassa as barreiras sectárias da Universidade e se pinta de povo, demonstrando que o povo afro-indígena não está mais sendo apenas objeto de estudo pela academia como tem sido durante séculos. As populações tradicionais, com muita garra, ocupam cada vez mais seus territórios e para além de objeto de análise, se colocam no papel de avaliadores e produtores do conhecimento científico acadêmico gerado a partir de suas tradições. Os grupos historicamente invisibilizados adquirem o poder de se representarem, de falar a partir de si mesmos, de analisar o que é produzido sobre eles e manifestarem suas opiniões.

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O evento citado é um exemplo de avanço nos direitos e na representatividade das comunidades afro-indígenas. Salutar, que ainda há muito que se reivindicar. O Estado de Alagoas tem um histórico amplo de violência contra as comunidades negras e indígenas, inserir essas comunidades no debate acadêmico como agentes ativos de suas historias é um marco é um começo, mas ainda não é o bastante. Precisamos que as Universidades se pintem completamente de povo, para além dos debates exclusivamente acadêmicos.

 

Salve o povo da Jurema!

Salve os Mestres e Mestras da Jurema

Salve o povo do Axé!

Salve, salve a toda população afro-indígena!

 

Fontes: 

Casa de Caridade de Candomblé Ilê Axé Dará Xangô Oyá

BARBOSA, I; Firmei Meu Ponto: Possíveis Análises do Culto da Jurema Sagrada a Partir da Memória Cantada.

Créditos nas imagens.

Acadêmica em História pela Universidade Estadual de Alagoas, membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UNEAL) e Grupo de Estudos Feministas Dandara-UNEAL, amo gatos e café com canela, feminista interseccional, filha de Obaluayê e Yansã, e nordestina.

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