Elas também amam futebol

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A já ultrapassada imagem de que mulheres só assistem a futebol durante as Copas do Mundo (quando torcem) ainda permeia o imaginário de muitos homens. Futebol, um esporte tido como masculino, agressivo e, por que não dizer muito amado, está sendo não apenas visto por mulheres do mundo inteiro como também praticado.

“Grito, vibro, choro”, diz Raiane Pinheiro, feminista que aos 15 anos de idade começou a gostar do esporte por influência da família. “Somos em nove mulheres e cinco fanáticas por futebol, inclusive minha mãe corintiana roxo!”, afirma empolgada. Já para Paola Farias, a paixão pelo esporte começou ainda mais cedo.

“Eu fui daqueles bebês e crianças que tinham tudo de time. Roupinha, enfeites no quarto. Meu vô materno foi jogador de futebol mas nem minha mãe e nem o irmão dela tinham muito interesse. Como eu fui a única e eu convivia muito com ele, ele me passou essa paixão. Com uns 5 anos eu já jogava e depois isso foi crescendo”. Paola não é a única mulher em seu círculo com uma história parecida: “A maioria das minhas amigas é apaixonada. O que gera muita briga entre a gente”, afirma rindo.

A paixão pele time as atinge tanto quanto os torcedores masculinos: “Cara, quando meu time perde é tenso. Quando acontece eu fico de péssimo humor. Não entro em Face(book), Whatsapp, nada. Prefiro ficar quieta, se não é briga na certa”, revela Paola. Já Maíra Del Bosco, que torce pelo Flamengo, tem uma visão mais morna sobre o pesar que é assistir a um time perder: “Me sinto triste por um momento, mas é uma frustração normal. Nada que ultrapasse os limites normais de torcida por um time. Jamais me imaginaria indo até porta de clubes, aeroportos, etc fazer reclamações bizarras ou perdendo sono por isso”.

Nenhuma delas segura a emoção quando o time vence. “Acho que ver meu time ganhando é uma das melhores sensações e maiores emoções que podem existir. Já gritei, já chorei. Aí entro nas redes sociais mesmo pra provocar os rivais e comemorar. Saio com os amigos e família. Na minha cidade, quando o Corinthians ganha todo o mundo vai pra rua. Então é muito legal sair pra qualquer lugar”, afirma Paola.

No final, o que realmente se perde é a visibilidade feminina nas participações do jogo em si. “Fico muito chateada pela visibilidade que o futebol masculino tem e o feminino, não. Nossas meninas jogam muito! Na verdade, é um preconceito, né? Aquele negócio de que futebol não é ‘coisa de mulher’. Já ouvi muito isso quando jogava e mesmo em discussões. A gente sabe sim sobre futebol, a gente se interessa, a gente ama e a gente joga muita bola. Espero que um dia o futebol feminino tenha tanto patrocínio, tanto público e tanta paixão como o masculino. Porque merecemos. Se não temos isso, é por pura ignorância”, complementa Paola.

“Seria ótimo que o futebol feminino tivesse a mesma divulgação e prestigio que o masculino tem. Cá entre nós, as mulheres no futebol deixam Neymar e companhia no chinelo”, finaliza Raiane. Neymar-se-jogando-contra-o-Uruguai-4

Jornalista em formação. Fundadora da Ou Seja e blogueira. Meio Lia, meio Lua, prefere flores no cabelo a diamantes no pescoço.

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