Copa das Copas?

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A verdade? Eu fico muito irritado, mas não me importo, pois é emoção sem nenhuma razão. Eu torço, mas sei que não faz diferença, do futebol não quero vida, só um momento de diversão. Futebol não compra educação, Galvão, é só olhar a torcida insultando seu presidente(a) em rede mundial de telecomunicações. E sem hospital, Ronaldo, os milhões de brasileiros de carne e osso, como o Neymar, não tem onde tratar problemas na vértebra lombar, ou o joelho lesionado. Pra gente como você e ele, Ronaldo, até mesmo a queda de um sonho pode ser paga com dinheiro. Não é assim pra todo mundo.
 É gol da Alemanha, mas a vida continua, só não continua pra quem vive de futebol, ou quem morre na rua. E o que eu mais vejo são os “justiceiros homens de bem” de ontem, abusando de mulher nos bares, batendo em gringo e queimando ônibus. Copa das copas? É só porque agora temos grandes estádios, mas grande também é a importância que damos a coisas tão sem sentido quanto assistir ao jogo de futebol.
 Sem sentido mesmo, pão e circo, eu gosto, eu sei, mas é o que é. Porém o que tem sentido é o evento internacional, são os povos de vários países vindo pra cá, experimentar o Brasil. E muitos turistas voltarão pra casa com histórias para contar, creio que uma grande parte será alegre, mas ao mesmo tempo, se esse país, Ronaldo, colocasse educação na frente do Futebol, o evento que foi a Copa do mundo seria maior em cultura do que em esporte. Esporte até mesmo luta de gladiador é, mas cultura? Essa é a riqueza mais sábia, que o Brasil tem, mas não valoriza. 
 A FIFA ajuda essa porcaria, ao promover cerveja gringa e proibir as moças do acarajé. Cadê o Brasil? Brasil nos cortes da TV da FIFA virou menino pobre jogando bola, festa, bunda e favela, mas nenhuma escola. E tenho dito, a Copa das Copas pode ser Copa das Copas, mas Copa, por si só, não vale muito sozinha, logo mais ela passa, e continuamos com os velhos problemas na economia, na política, com os protestos, com violência policial, com oligarquias nos consumindo de dentro pra fora, e de fora pra dentro chegam as mega corporações. 
 Presidente vai, presidente vem, o Brasil não precisa de outra face no governo, pois seja lá qual bandeira for no topo da sociedade, o problema é o mastro, que está corrupto. E toda bandeira, ao ser levada ao topo, tem um longo caminho a percorrer por esse mastro. 
 Quisera eu que essa copa fosse em outras circunstâncias, que o povo não estivesse tão segregado por diferenças sociais, ideais, por gritos e berros birrentos de jornalistas xiliquentos insuportáveis, que me fazem repensar a carreira que eu quero seguir. Quisera o brasileiro abrisse os braços e abraçasse os europeus vindos da terra de lá, e em danças, shows alegres, sem briga, em mútua admiração, e não apenas “ei, aqui estão as bundas brasileiras, passe a mão, elas não se importam, aqui tudo é carnaval, e eu também não me importo, pois elas são petralhas. Faça o favor de ganhar a copa contra o meu país ao sair, pois eu quero que isso ajude nas eleições”.
Imagem: Reprodução / Vipcomm

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