Comunicar pra revolucionar

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Crônicas

Não existe existencialismo na miséria

Crônicas por

Hoje, ao chegar à faculdade, só pensava na liquidez do século XXI. Tudo que vinha à minha cabeça era Zygmunt Bauman e o sufocamento que os espaços enclausurados me causam. No entanto, após assistir ao documentário “Garapa”, do diretor José Padilha, percebi que a liquidez é um luxo, do qual eu, uma garota pertencente à pequena parcela privilegiada do país, pode desfrutar. O documentário foi filmado no interior do estado do Ceará e acompanha a realidade de três famílias que, segundo a FAO (ramificação da ONU que lida com a questão da agricultura e da fome no Mundo), sofrem de…

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Como ganhei 50 reais num puteiro furreca de Viçosa

Comportamento/Crônicas/Sexo por

Numa noite tediosa de segunda-feira, eu ganhei R$50,00 num puteiro furreca de Viçosa. A história por trás disso pode ser meio frustrante, mas lá vai. Era segunda-feira e eu e uns amigos saímos para comemorar que alguns deles haviam passado no mestrado, mas como o de costume, não tinha nada aberto em Viçosa. Então fomos para o puteiro (umas 10 pessoas em um Uno). Chegando lá descobrimos que, apesar do puteiro ser muito furreca, tudo era muito caro para nosso padrão estudante falidos, então juntamos todos os nossos dinheiros e negociamos por umas latinhas de cerveja e ganhamos duas fichas…

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As Crônicas de Solin (parte II)

Arte/Crônicas/Literatura por

Por Erickson Oliveira Memórias que se recordam em pesadelos são as que nos fazem esquecer (o que somos) Depois de todos aqueles anos Sobrou-me apenas esquecer Para viver eu deveria esquecer Para esquecer eu deveria viver Todos aqueles anos Todo aquele ódio Toda aquela dor Foram se diluindo em pequenas porções de alegria Que eu encontrava em meus pequenos sonhos Mal escritos, mal vistos, nunca realizados Depois de todos aqueles anos Meu seio esquerdo, negro e impuro Parecia igual ao direito – ao olhar no espelho Mas eu sabia Eu sabia… Que os fantasmas ainda me perseguiriam Que as assombrações…

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As Crônicas de Solin (parte I)

Arte/Crônicas/Literatura por

Por Erickson Oliveira Ao sol poente nasce mais uma estrela, morre mais um cometa Fui concebido nas sombras desse mundo Afogado em fogo, carbono e enxofre Mergulhado no sangue do estupro Vindo do pior pecado capital Foi da pureza virgem e imaculada Que minha progenitora sucumbiu ao terror E ao medo – jazia em si um único desejo Morrer e levar consigo seu último anseio Não aceitavas o fim que lhe coubera a vida Impura acordou naquele dia De um pesadelo o qual não poderia suportar Tantas e tantas vezes senti em seu ventre Seu desespero, Seu desprezo Por minha…

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Pedacinho de Deus

Arte/Crônicas/Literatura por

Feliz dia do “Vem limpar a mesa! Tá pensando que sou tua empregada, é?” Feliz dia do “Acaba com essas bebedeiras e arruma uma namorada” aí o cara arruma e fala que vai casar e escuta “Essa menina não presta, meu filho. Vi nos olhos dela. Arrume uma moça da igreja. Tem tanta moça boa por aí. Essa não é pra você”. Feliz dia do “Vai ficar até quando nesse negócio de escrever poesia, meu filho? Poesia não enche barriga. Sabe o Fabinho, filho da Vera? É advogado, tem carrão, mora em condomínio na estrada da ponta negra.” Dá vontade…

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Presente

Crônicas por

Eu havia ido a uma livraria em um shopping para fazer hora enquanto esperava minha namorada sair do trabalho, então sai da livraria e fui comprar um sorvete, uma menina reparou no meu colar feito a mão, ela abordou-me com a mãe e perguntou aonde o havia comprado, eu brinquei com ela e disse que não havia sido comprado; – É um presente! Foi dado a mim por uma fada da floresta, um símbolo de amizade verdadeira. – Eu quero um, como consigo um também? – Oras, é muito fácil, basta que seja gentil com a natureza ao seu redor…

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A cada acorde que passa

Arte/Crônicas/Literatura por

“Devo acordar…” em semissono penso, questão de sobrevivência do pouco de Ser consciente que surge tão cedo de manhã, numa hora que só mesmo a mais doente das sociedades pode fazer um animal tão preguiçoso como o homem acordar. Os olhos tontos fechando as pálpebras que mal se tocam, e na mente soniferada, poucos segundos passam. Mas no relógio, meia hora queimou-se em vão, como se a Terra rodopiasse ao seu bel prazer, e não segundo alguma lei da física. É nesse tipo de meia hora que dura segundos de olhos fechados que se decide a chegada adiantada ou a…

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Loucos São Vocês!

Arte/Crônicas/Literatura por

Amanda era problemática, ou melhor, ainda é. Quando criança, pegava a maquiagem da avó e lambuzava toda a cara. Um absurdo! Onde já se viu uma criança pegar coisas escondido para brincar. Acredita que ela cortava os cabelos da Barbie?! É filha de pais separados, brigados e é tudo culpa dela. É teimosa, prefere estar na companhia de outras crianças, mas os gigantes (seres parecidos, mas maiores que ela) dizem com quem ela deve estar e fazer companhia a esses gigantes e, por favor, não mastigue de boca aberta. Durante a semana, Amanda adorava brincar sozinha, tinha uma baita imaginação.…

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Vinte e cinco centavos

Crônicas/Literatura/Sem categoria por

  Como ajudar em uma situação dessas? Um fato recente me deixou pensativa. Estávamos eu e minha mãe em uma loja de R$ 1,99. Enquanto pagávamos o rodinho de pia e uma pasta de plástico, me dei conta de que uma garotinha malvestida, com aproximadamente 7 anos, e um garotinho um pouco mais novo haviam entrado na loja. Enquanto esperávamos, a garotinha aparecia de momento em momento com um produto diferente em mãos, perguntando o preço. Desde balas de iogurte até salgadinhos de torresmos. O preço não saía dos dois reais e a garotinha esbugalhava os olhos ao ouvi-los. Observando aquilo…

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Casualidades: o velho, o novo e possíveis (re/des)encontros

Imagem: http://www.stockpholio.com/view/image/id/4857693316#!Sea+Change Acordo, faço meu asseio e desjejum. Parto em mais uma jornada matinal e rotineira. Como de praxe, estou acompanhado por alguma boa-amizade nos momentos que me permito abdicar da adorada solidão. Neste dia vinha pois Fernando, junto a mim. Incomumente pegamos condução terrestre, para uma parada atípica e necessária neste dia. Cumprida tal obrigação, partimos, novamente pela estrada. Pago o valor, sentamo-nos. Ao nosso lado, uma mulher, nem feia nem bela, tinha certo charme, pele morena, cabelos longos, uniforme de trabalho – camisa vermelha e calça preta. Nem deu por nossa presença, aprisionada que estava ao seu grilhão.…

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