Avalanche: o desenvolvimento do cinema alagoano.

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O Bando
O Bando-filme Avalanche.

O cinema alagoano tem crescido significativamente na ultima década. O curta-metragem Avalanche de Leandro Alves é um exemplo nítido desse crescimento. É importante destacar que, quando se fala em crescimento não se fala apenas do aumento de produção audiovisual, mas também do reconhecimento e valorização da cultura alagoana que também é composta pela Sétima Arte.

Avalanche é uma produção cinematográfica puramente nordestina, sobretudo Alagoana; no roteiro, na produção, no local de realização, em tudo. Ocupando nesse sentindo, espaço fundamental no processo histórico de desenvolvimento do cinema alagoano, que ao assumir seu caráter regional dá visibilidade e empodera um povo que em sua história passa por uma trajetória histórica de marginalização pelas regiões sul e sudeste e pelas próprias elites locais.

O audiovisual alagoano compõe uma história de 96 anos de percurso e resistência, iniciada com o pioneiro Guilherme Regato com um filme de média metragem Casamento é Negócio em 1933. A história do audiovisual é marcada por ciclos, onde há picos fortes de desenvolvimento e outros de marasmo. Em 2010 finalmente o Governo lança o primeiro edital de política pública de incentivo às produções audiovisuais.

“o Governo do Estado de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), promoveu um edital de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas. Foram cinco projetos contemplados, voltados para a criação de curtas metragens de 7 a 15 minutos. O prêmio teve um valor total de R$ 75 mil, originários do orçamento do Fundo de Desenvolvimento de Ações Culturais (FDAC), e foi distribuído em cinco premiações, cada uma no valor de 15 mil reais.”

Entrevistamos Rafhael Barbosa jornalista e também produtor de uma série de filmes para falar sobre esse período de 2010 e outras perspectivas.  Segundo Rafhael: “Essa política vai se desenvolvendo de modo irregular, de modo vacilante, mas em razão da pressão do seguimento essa política continua e tem continuado até hoje. E aí, esse período a partir de 2010 é um período de amadurecimento, de evolução dessa nova geração de cineastas que vem aprendendo com os erros e vem evoluindo seu trabalho. Isso é possível perceber, pois, a cada safra uma evolução e uma repercussão maior dos trabalhos também.”

A partir de então, se inicia uma nova fase no cinema alagoano, podendo ser chamada de Fase Contemporânea. Nesse novo momento temos o projeto de curta metragem, KM 58 do Jornalista Rafhael Barbosa contemplado no edital de 2010,” O que Lembro, Tenho”, do mesmo diretor, “Ontem à noite” de Henrique Oliveira, “Maria Flor etc.”  de  Arriete Vilela, “Guerreiros” de Arilene de Castro, “Flamor” de Leandro Alves e o mais recente, “ Avalanche”, que finalizou suas gravações no último dia 11, dentre outras produções.

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Equipe do filme Avalanche.

Durante a entrevista, questionamos o que Rafhael Barbosa pensa a respeito da comparação feita sobre o cinema alagoano com o de Pernambuco e como enxerga o próprio seguimento: “Nós estamos em um momento histórico diferente, eles já passaram por tudo que estamos passando hoje há mais de 20 anos, nós estamos construindo algo e é possível perceber essa construção que vai se repercutir no futuro se continuar havendo investimentos e continuar havendo políticas públicas. Nós temos um futuro em potencial grande. E hoje nós já temos um dos cinemas mais interessantes, sim, comparados a outros estados do mesmo porte, da mesma capacidade econômica, nós estamos bem, o cinema alagoano está bem.

 Sobre o  seguimento,  hoje é um dos mais politizados do Estado de Alagoas, é o que mais luta por políticas públicas e direitos e isso tem se refletido em conquistas. O Audiovisual tem incomodado o poder público, tem travado lutas e cobrado muito e inevitavelmente isso se reflete em conquistas. Hoje temos uma política muito melhor do que a do passado, ainda não é a ideal, muito longe disso. Atualmente está aberto um edital com investimento de três milhões de reais da Secult em parceria com a Ancine, então é uma política densa e interessante, comparada com que nós tínhamos anos atrás.”

Desta forma, percebemos nitidamente o processo de lutas, conquistas, evolução e enriquecimento cultural que o audiovisual alagoano tem construído desde o seu nascimento e em particular na ultima década. O curta-metragem Avalanche do arapiraquense Leandro Alves é então, um dos exemplos utilizados para evidenciar esses desenvolvimentos e conquistas reconhecidos e reivindicados por esse movimento. Sendo assim, o cinema alagoano mostra sua força e astúcia, aproveitando cada oportunidade e batalhando por melhores condições para fazer cinema e para que novos talentos venham a surgir.

 

 

Acadêmica em História pela Universidade Estadual de Alagoas, membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UNEAL) e Grupo de Estudos Feministas Dandara-UNEAL, amo gatos e café com canela, feminista interseccional, filha de Obaluayê e Yansã, e nordestina.

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