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As mulheres de Turbaco

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A Colômbia vive um conflito entre forças guerrilheiras, paramilitares e militares há mais de 50 anos, com  liberais, conservadores e socialistas disputando pelo poder. Segundo registros iniciados em 1985, a guerra já matou aproximadamente 22 mil indivíduos e obrigou cerca de 6 milhões de pessoas a se deslocarem de suas residências, sendo que mais da metade eram mulheres.

E são as mulheres as que mais sofrem ataques à integridade física e psicológica em uma guerra.  As colombianas, vivendo praticamente por toda vida em uma guerra civil, são alvos constantes dos ataques que vem de todas as forças, não importando a posição ideológica.

3456Desejando criar uma nova realidade para elas, buscando a restituição de direitos individuais e coletivos, Patricia Guerrero, advogada de Bogotá, ajuda a fundar em 2003, uma organização de vítimas do conflito. Junto a outras mulheres que sofreram abusos sexuais e perdas diversas, o Liga de Mujeres DesplazadasLDM (Liga de Mulheres Deslocadas) foi criado. Elas se instalaram Turbaco, subúrbio de Cartagena, Caribe Colombiano, fundando logo em seguida, a Cidade das Mulheres.

6_20160119tJgrhkMas o início não foi nada fácil. Elas viviam em condições de extrema pobreza em bairros miseráveis, quando iniciaram a organização, não possuíam mais bens do a roupa do corpo e poucos pertences. Mas conseguiram encontrar um lote de terra e buscaram ajuda de programas como USAID – Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – e o de cooperação espanhola para as habitações.

Durante sua fixação a terra elas receberam várias ameaças, tiveram o primeiro centro comunitário erguido incendiado e líderes assassinados pelos grupos paramilitares e guerrilheiros. Mas elas não desistiram. Buscaram capacitações na área construtiva e iniciaram a construção de suas residências, hoje, motivo de orgulho para todas. Foram erguidas 102 casas e com elas, a segurança e a certeza de um futuro possível para todos que ali se abrigam.

Embora ainda se lembrem dos momentos de fome, miséria, desabrigo e vulnerabilidade física e psicológica em que viviam, elas comemoram o fato de verem a nova geração viver em outra realidade. Meninas e meninos crescem em um ambiente em que suas mães e avós são chefes de família, onde não existe mais fome e onde há a valorização e a promoção dos direitos das mulheres. É esse sangue novo que continua o trabalho de desenvolver e fazer a manutenção dessa perspectiva de vida mais equilibrada. Elas não querem mais ser vítimas, querem ser aquelas que mudarão esse momento político. E acreditam que, se não forem as mães e as avós, serão as filhas ou as netas.

O que uniu estas mulheres treze anos atrás foi a luta para sobreviver, e elas ainda continuam lutando. O posicionamento politizado e a persistência do grupo pela defesa dos direitos humanos e pelas reivindicações sociais está gerando ódio. Elas estão sendo atacadas pelos guerrilheiros e paramilitares, pois além de serem um obstáculo para os que buscam preservar as rotas do tráfico e promover outras atividades ilegais, elas denunciaram mundialmente 144 casos de crimes de guerra.

As mulheres de Turbaco e as casas construídas por elas mesmas
As mulheres de Turbaco e as casas construídas por elas mesmas

Mas, uma das ruas de Turbaco é a Rua das Mulheres Guerreiras, e isso já nos mostra a disposição incansável destas pessoas de continuarem sua busca por paz e justiça.

 

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Artigo de Moni Abreu, A Sobrevivencialista

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