As Crônicas de Solin (parte II)

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Por Erickson Oliveira

Memórias que se recordam em pesadelos são as que nos fazem esquecer (o que somos)

Depois de todos aqueles anos
Sobrou-me apenas esquecer
Para viver eu deveria esquecer
Para esquecer eu deveria viver
Todos aqueles anos
Todo aquele ódio
Toda aquela dor
Foram se diluindo em pequenas porções de alegria
Que eu encontrava em meus pequenos sonhos
Mal escritos, mal vistos, nunca realizados

Depois de todos aqueles anos
Meu seio esquerdo, negro e impuro
Parecia igual ao direito – ao olhar no espelho
Mas eu sabia
Eu sabia…
Que os fantasmas ainda me perseguiriam
Que as assombrações do passado ainda me guiariam
À minha ruína
Ao fim de minha vida
Talvez, a minha única salvação

Depois de todos aqueles anos
Ainda tenho os mesmos sonhos
O sangue, a carne, o odor
O medo, a angustia, o terror
Tudo misturado, tudo embaçado
Tudo escondido
Naquele maldito orfanato
Quem eu era?
Quem eu sou?
Acordo sempre no mesmo horário…

Acadêmica em História pela Universidade Estadual de Alagoas, membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UNEAL) e Grupo de Estudos Feministas Dandara-UNEAL, amo gatos e café com canela, feminista interseccional, filha de Obaluayê e Yansã, e nordestina.

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