Aplicativo ajuda o consumidor a escolher marcas livres de trabalho escravo

em Eco Fashion por
“12 anos de escravidão”, filme que retrata a vida de um homem livre, sequestrado e escravizado, consagrou-se no óscar de 2014. O longa narra o drama real de Solomon Northup, que escreveu sobre seus anos de limbo. Durante a sessão, lágrimas caem, os olhos ficam vidrados na tela e nos emocionamos com a trajetória do músico letrado que teve sua liberdade acorrentada durante tanto tempo. Mas, ao acender das luzes, secamos o choro. Para que nos lamentarmos se esse período da história já passou? Infelizmente, não. Em pleno 2014, milhões de pessoas vivem em estados análogos ao da escravidão. Inclusive aqui no Brasil. São pessoas como eu e você, livres pela constituição, mas exploradas por grifes que mal pagam o suficiente para que sobrevivam com o mínimo de dignidade.  
Pensando em tomarmos consciência da nossa reponsabilidade como consumidores, a Repórter Brasil, organização que luta contra o trabalho escravo e pela defesa dos direitos humanos e ambientais, criou um aplicativo clean e bem simples de usar: o Moda Livre. Você pode baixa-lo gratuitamente para Android ou iOS. O aplicativo classifica as marcas como verdes; aquelas que não tem ligação com trabalho escravo e fazem fiscalizações eficientes a respeito, amarelo; aquelas que necessitam aperfeiçoar seus mecanismos e vermelho; aquelas que não verificam suas ligações com trabalho escravo e têm históricos desfavoráveis. O aplicativo ainda faz um resumo sobre as empresa e explica a “cor” de cada uma delas. 
Quando visitamos lojas luxuosas, não nos perguntamos quem fabricou as roupas que vestimos. Como vivem e trabalham essas pessoas? Preferimos não saber. O importante mesmo parece ser a liquidação, o caimento da roupa e o limite do cartão de crédito. Mas, por trás de cada peça há uma vida ignorada, alguém que poderia muito bem escrever sobre mais “12 anos de escravidão”. Você se decepcionou ao perceber que sua marca favorita faz parte da lista de empresas que usam mão de obra escravizada? Você pode simplesmente comprar em outro lugar ou pressionar a empresa para mudar a postura. Você decide. O importante é que, com apenas alguns toques, você se informe e pondere a respeito. 
Enquanto apenas nos importamos em fiscalizar governos e empresas quando nós mesmos sofrermos alguma espécie de violência (simbólica ou física), a realidade não mudará. É por isso que criamos este manual prático que servirá como os primeiros socorros da nossa consciência. A intenção da coluna não é expor fatos de forma sensacionalista, mas sim apresentar soluções viáveis para mudarmos nossa postura e melhorarmos nosso entorno. “Pensar globalmente e agir localmente”: eis o nosso slogan. 

Jornalista em formação. Fundadora da Ou Seja e blogueira. Meio Lia, meio Lua, prefere flores no cabelo a diamantes no pescoço.

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