Alta costura e tecnologia

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Estilista usa a tecnologia para revolucionar a moda

Roupas biomiméticas, feitas a partir de impressão 3D, inspiradas em arquitetura e vestes que funcionam como instrumentos musicais: são algumas das criações da estilista holandesa Iris Van Harpen, de 31 anos, em colaboração com diversos estilistas e profissionais de áreas da tecnologia, tais como arquitetos e até mesmo cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets).

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A estilista trabalha para ícones como as cantoras Björk e Lady Gaga. Recentemente, a atriz Gwendoline Christie, de “Game of Thrones”, participou da coleção Quaquaversal, para a Primavera/Verão 2016, em que 3 braços robóticos entrelaçaram “uma malha arquitetônica que irradia ao seu redor”. Ou seja, o vestido foi fabricado ao vivo em torno da atriz.

Vestido Escapismo, da estilista Iris Van Harpen. ©Victoria and Albert Museum, Londres
Vestido Escapismo, da estilista Iris Van Harpen. ©Victoria and Albert Museum, Londres

Iris começou a carreira de forma brilhante: estagiou com o designer Alexander McQueen, conhecido por ter sido considerado um “gênio da moda”. Logo depois passou a trabalhar em sua própria marca.

“Para mim, a moda é uma expressão de arte que está muito proximamente relacionada a mim e ao meu corpo.

Eu vejo isso como minha expressão de identidade combinada com desejo, humor e ambiente cultural”, afirma a estilista.

Seu vestido “Escapismo”, impresso em formato tridimensional, foi eleito uma das 50 melhores invenções de 2011 pela revista Time:

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“92 CENTÍMETROS | Combinando design com tecnologia, vestidos fantásticos da estilista holandesa Iris van Herpen são inicialmente planejados em Photoshop. Ela em seguida trabalha com um arquiteto para desenvolver um modelo 3-D, que é impresso num polímero ao longo de uma semana, o que resulta em um vestido prêt-à-porterque é uma réplica exata da versão original esboçada. Van Herpen – que recentemente desenhou o vestido que Björk usa na capa de seu novo álbum, Biophilia – apresentou seus vestidos estampados durante Alta Costura de Paris Semana da Moda de janeiro deste ano

Tradução livre do texto da Revista Time

O que encanta em cada uma das suas coleções são os temas escolhidos e o modo com que ela pesquisa o que há de mais novo na tecnologia para que sua roupa ganhe vida. A seguir, alguns exemplos das coleções mais intrigantes e como a tecnologia foi empregada. Como diz seu próprio website, “regras normais não se aplicam”.

Embossed Sounds: roupas como instrumentos musicais

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Para a coleção “Embossed sounds”, sons em relevo, em português, Iris Van Herpen desenvolveu roupas que geram sons pelo toque.

Na performance intimista, modelos tocam suas roupas e criam música ao vivo. Imagine ondas e áudios sensíveis e sensuais,  como se saíssem do corpo e formassem uma teia  sônica. De acordo com o website oficial, as vestes são fabricadas de silicone 3D, as estruturas artesanais pressionadas em couro e tecidos de alto brilho “líquidos”, tecidos de seda e fios de nylon. Os sapatos também são de silicone 3D.
Assista ao vídeo para entender melhor como funciona:

BIOPIRACY: estilista questiona se ainda somos donos de nossos corpos

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Nesta coleção, a estilista trabalha com o artista Lawrence Malstaf, especialista na interação entre fisicalidade e biologia, e com a colaboração da impressão 3D de Julia Koerner. Para criar a coleção, a artista recorreu a questionamentos importantes: “No passado recente, as patentes sobre os nossos genes foram comprados. Ainda somos o único proprietário de nossos corpos?”

Assista ao desfile:

MAGNETIC MOTION: Ciência aplicada em roupas

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A estilista apresentou a coleção prêt-à-porter em Paris, em 30 de setembro de 2014. Sua intenção   foi explorar a interação de forças magnéticas: as dinâmicas entre atração e repulsa em que combinam natureza e tecnologia.

Para tanto, ela visitou o CERN, Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, onde obteve a inspiração para esta coleção.

“Eu encontrei a beleza na formação contínua de Caos, que encarna claramente o poder primordial do desempenho da natureza”, ela explica.

Colaboraram para a coleção o arquiteto Philip Beesley e a artista Jolan van der Wiel. É importante ressaltar que as obras de Beesley envolvem computação avançada, a biologia sintética e engenharia mecatrônica.

“Ambos os artistas (Beesley e Wiel) se esforçam para apagar as fronteiras entre natureza e tecnologia em seu trabalho, que coincide com a direção do objetivo criativo de van Herpen”, explica o website oficial da designer.

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HACKING INFINITY: Quando a moda pretende hackear o infinito

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A coleção Outono / Inverno 2015-16 prêt-à-porter Hacking Infinity, apresentada em Paris, em 10 de março de 2015 no Palais de Tokyo, teve uma intenção inusitada: explorar a terraformação, ou seja, a biosfera em modificação de outro planeta que se parece com a Terra.

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Explorando novos espaços geográficos, a interação entre movimento e corpo junto às estruturas biomiméticas, algumas roupas tem tons que lembram “mandalas”. Suas formas esféricas remetem aos corpos planetários e ao que é ilimitado: o próprio universo.

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Para obter cores que lembram nebulosas espaciais, tecidos leves de aço inoxidável foram chamuscados à mão.

As roupas tridimensionais desta vez foram feitas em parceria com o designer Aleksandra Gaca. A colaboração do professor canadense de arquitetura Philip Beesley prossegue. Já os sapatos 3D da coleção foram criados juntos ao designer japonês Noritaka Tatehana.

QUAQUAVERSAL: Quando arquitetura se une à natureza

20Três braços robóticos “fabricam” o vestido ao redor de Gwendoline Christie, de “Game of Thrones” A coleção Quaquaversal, para a Primavera/Verão 2016 aborda a união entre natureza e arquitetura.

“O belo potencial de plantas e outros organismos para formar arquitetura de estar me inspirou a fazer uma coleção que está emaranhada como um labirinto ao redor do corpo. A inspiração veio da maneira como as plantas e suas raízes crescem, e como raízes têm sido usados ​​para crescer pontes de vida nas florestas da Índia. Esta tradição de pontes crescentes me inspirou a re-envisionaram meu processo de fazer uma peça de roupa “, explica a designer.

Colaboram para a coleção Jolan van der Wiel e  Finsk.

Jornalista em formação. Fundadora da Ou Seja e blogueira. Meio Lia, meio Lua, prefere flores no cabelo a diamantes no pescoço.

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