Acerca De La Vainilla

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“Uma trepadeira! Uma belíssima trepadeira! Deveras a mais rara e aromática de todas elas… Uma orquídea que germina no solo e mantém-se enraizada nele por toda a vida… Mas sendo de personalidade atrevida e excessivamente ávida, escolhe um suporte (um tronco forte e saudável) e apóia-se; debruçando seus mais íntimos desejos sobre ele. Somente assim mantém-se ereta e consegue crescer em direção à luz abundante. – Elementar simbiose!


As raízes aéreas desenham na flora os inúmeros apetites… Vontades que vão sendo laceradas como fisgas. Mastigadas, engolidas, digeridas… Delírios tatuados na epiderme e traçados na palma das mãos.

As sementes (sem asas) imploram aos deuses dias melhores… São gérmenes afoitos, cheios de expectativas, que aspiram ao futuro com uma ânsia desesperada; arrebatada! Doentes grãos não germinados… Fluxos interrompidos, destinos ainda não traçados!

O caule é longo e elegante. Modela as atitudes, as escolhas, os estratagemas… Hastes finas e demoradas que aderem ao tronco e elevam-se, sempre dominantes. Lâminas afiadas que ferem o ar com uma angústia plena; violenta.

Folhas (em espirais) que tecem os vínculos, os pactos, as alianças… Espaçadas! Mais ou menos largas e brilhantes! Impassíveis… Armam ciladas, inventam truques, tecem alguns ardis e reforçam todos os laços. Perpetuam suas marcas na história e nas vias da vida. 

As flores são solitárias! Belas e pálidas. Brancas, esverdeadas ou amareladas. Botões vistosos, efêmeros e repletos do melhor perfume. Tristes corolas que pendem dos céus e revelam suas pétalas independentes.

Quando cresce e torna-se madura, a trepadeira inclina seus ramos e dá frutos…

Os frutos, por sua vez, são carnosos e delicados. Difíceis de cultivar… Vagens frescas que protegem as sementes e ocultam o olor. Bainhas que guardam segredos, envolvem sigilos, amaciam rebentos. Insubmissas, indisciplináveis, insubstituíveis… 

E dando frutos, a trepadeira torna-se metade… Presenteia com seu cheiro e com o sabor da sua seiva. Atrai, encanta, hipnotiza e vicia!

Lisa – quando livre, e muito espessa – quando enterrada ou aderida. Eis a melhor definição!”

(Hölle Carogne)

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