A princesa, a rainha e a terra dos banquetes

em Literatura/Sexo por
“A menina passeava por uma estrada, aquela velha estrada de chão batido. Ia tranquila, sentindo o sol aquecer seu rosto pálido e jovem. Sentia o vento nos cabelos dourados e observava a paisagem. Via cercas de arame ao redor, a grama verdinha, os raios de sol insistentes a perturbar-lhe a visão, algumas borboletas e umas poucas árvores. Chamou-lhe a atenção uma bifurcação ao longe, olhou, olhou e seguiu em frente, já pensando qual caminho iria escolher e imaginando que aventuras estariam reservadas para ela naquela tarde. Todos os dias a menina fazia o mesmo caminho, pegando a estrada de chão batido, rodeada com cercas de arame… Nem sempre o sol era o mesmo, o vento também, às vezes vinha vê-la, às vezes desaparecia, sempre inconstante.

Naquela tarde a princesa estava ansiosa. Algo dentro dela estava diferente, sentia os cabelos mais esvoaçantes e tinha a impressão de que estavam avermelhados e não loiros como de costume, sentia os olhos esbugalhados, loucos para enxergar qualquer novidade, era curiosa ao extremo. Trazia as narinas infladas e as sobrancelhas levemente arqueadas. Os dentes há muito estavam cerrados, mal comeu nos últimos dias, tamanha era a ansiedade que se apossava dela. Tinha a boca carnuda e vermelha, e cada vez que pensava estar se aproximando da bifurcação, sentia a saliva viscosa e levemente adocicada e seu corpo tremia de prazer. Que espetáculo aguardava a doce e meiga princesinha? Apressou o passo, queria chegar logo. O coração estava palpitante e sentiu uma gota de suor escorrer-lhe pela nuca. Pensou que devesse correr, mas hesitou. Continuou caminhando a passos largos, ia balançando os braços e sacudindo o vestido de renda branca, cheia de expectativas. Os ávidos pezinhos empolgados, os ombros ondulantes, o corpo todo a vibrar de desejo. Quem olhasse de fora, certamente veria uma bela moça a dançar repleta de deleite e não uma menininha nervosa e ingênua.

Finalmente chegou… Olhou atentamente a bifurcação, e no mesmo instante levou um dos dedos à boca em sinal de indecisão, o corpo moveu-se, o vestidinho esvoaçou pra lá, depois pra cá. Os olhos famintos queriam os dois caminhos, mas sabia que tinha de escolher apenas um. Escolheu o da esquerda. Ergueu o pezinho delicado e branco e olhando bem, viu-se sem os sapatos. Havia perdido? Que estranho… Não se deu por conta, mas era distraída mesmo e sempre perdia alguma coisa. Pisou com o primeiro pezinho, depois com o segundo, agora não podia voltar, era tarde demais, já havia feito sua escolha. E não queria voltar mesmo, era decidida, sempre havia sido, às vezes o coraçãozinho se enchia de dúvidas e ficava nervosa demais, ansiosa demais e sofria muito, até chorava às vezes, mas em alguns instantes enxugava com as mãos o rosto inchado, fazia careta e levantava depressa em busca de novas aventuras. Essa era mais uma, talvez a mais importante e a mais difícil. Pensando bem, talvez esse fosse apenas o início, claro, muitos outros feitos extraordinários viriam depois desse e muito melhores, mais prazerosos e empolgantes. Sentiu-se feliz em estar ali. Começou seu tão esperado passeio.

Logo deu os primeiros passos, o sol se distanciou e o vento dissipou-se por completo. Não se importou, continuou a andar. O caminho que havia escolhido era rodeado por árvores altas e de troncos finos. Andou, andou, andou e repentinamente sentiu um frio a gelar a espinha de cima a baixo. Apurou o passo e a partir daí a terra mostrou-se mais úmida e fria. Uma terra vermelha, um solo fértil e um cheiro de chuva fizeram os arrepios se intensificarem. Começou a pensar em muitas possibilidades, fantasiou, mas sua mente não teve muito tempo, algo incrível desviou-lhe a atenção. A estrada foi ficando cada vez mais estreita e as árvores altas foram diminuindo de forma espantosa. Teve dificuldade de passar, o caminho tinha ficado tão estreito e tão de repente, que não sabia se era ele quem havia diminuído ou ela quem havia aumentado de tamanho. Pensou na hipótese de ter crescido, pois há alguns dias sua mãe havia lhe dado uma vitamina forte, para fazer crescer as crianças muito pequenas e que não gostam de comer, bom, ela gostava de comer, era bem gulosa para falar a verdade e dar vitamina aos filhos sempre esteve na moda. Cessaram-se os pensamentos infantis quando a princesa, saindo com dificuldade da pequena estradinha, deparou-se com um grande bosque. Encantou-se ao presenciar estranho acontecimento, como poderia um caminho tão estreito levá-la a um lugar tão lindo e imenso?

Olhou ao redor, era detalhista, o cheiro dos ambientes, a impressão visual, a energia das coisas sempre a alimentava, degustou cada detalhe. O cheiro da terra molhada, do musgo em alguns caules, das plantas apodrecidas no terreno fecundo, aquelas árvores gigantes e velhas, os troncos escuros e largos, o sabor do vento e de algumas gotas ralas de orvalho, o cheiro ácido de algumas frutas estranhas que ela nunca tinha visto e nem provado… Teve vontade, salivou! A visão da luz do dia através das folhas, a seiva a escorrer preguiçosa pelos galhos, as raízes endurecidas e muito escuras, o cheiro adocicado do pólen das flores, o limo das pedras que dormiam no meio do caminho, os casulos de alguns insetos espalhados pelas plantas, as cores exóticas das teias de aranhas e as aranhas. Ah, as aranhas, eram as mais estranhas que havia visto, vermelhas, amarelas, verdes e roxas, algumas com antenas e outras com grandes olhos; era realmente incrível.

Sentia o cheiro forte, o gosto e o som daquele lugar. Podia sentir a presença de seres muito antigos, escondidos entre as árvores, como que camuflados. Podia sentir a energia dos espíritos, de criaturas estranhas que pareciam fazer parte dela… Repentinamente, seus olhos ficaram embaçados e ela teve a impressão de ver alguns homenzinhos moverem-se em meio ao bosque… E teve medo! Lembrou-se das histórias que sua avó lhe contava em noites de chuva, sobre os bosques e os seres que neles vivem e como eles sequestram as pessoas e as levam para lugares onde o tempo não passa e onde acontecem muitas coisas misteriosas. Mais arrepios. Sentiu seu corpo estremecer, como se parte de seu espírito volta-se ao corpo depois de uma longa viagem. Resolveu continuar o caminho.

Caminhou por três quartos de hora, aproximadamente, até sair do bosque e adentrar em uma imensa clareira. No centro desta havia um lago de águas muito cristalinas, rodeado de pedras circulares, e atrás do lago uma cabana de pedras. Mesmo estando longe, pode ver a porta da cabana aberta e sentiu-se extremamente curiosa, queria vê-la, falar com o morador, olhar os móveis, mexer nos livros e observar os quadros. Contornou o lago, cautelosa, com medo de cair na água, não sabia a profundidade do lago e não sabia nadar. Mas estava ansiosa, sua essência ia à frente muito apressada, levada pelo vento. Quando chegou à frente da cabana, parou um pouco e respirou fundo. Subiu os três degraus e entrou.

Havia uma lareira na sala e fogo na lareira, em cima desta, penduradas na parede, duas espadas douradas com rosas brancas entalhadas no cabo, estavam dispostas de forma que uma cruzava a outra, os cabos para cima. Nada mais havia na sala. Na cozinha, alguns balcões e uma mesinha de centro, muito pequena e de madeira muito escura. Em cima desta mesinha havia uma tigela de barro com uma substância viscosa e avermelhada, pensou em provar, mas achou que seria aventura demais para um único dia, então, segurou a tigela perto das narinas e aspirou o cheiro forte de sangue, largou-a na mesma hora. Olhou dentro dos poucos armários que povoavam a cozinha e viu muitos potes contendo temperos, frutas secas, chás, líquidos e umas ervas estranhas, meio suspeitas.

Decidiu ir até as outras peças da casa. Pegou o corredor e chegou aos quartos, eram três, todos muito claros e totalmente vazios. Nada a interessou ali, então, procurando mais alguma coisa, investigou minuciosamente o corredor e ao final dele encontrou um alçapão meio camuflado em meio à madeira escura do assoalho. Abriu-o e avistou uma escada branca em forma de espiral, fez as contas, no mínimo uns vinte degraus. Começou a descer e conforme ia alcançando o porão, algumas tochas penduradas na parede ascendiam-se repentinamente. Estremeceu, alguém sabia que ela estava ali, e queria assustá-la… Ou talvez, ajudá-la, porque afinal de contas, ali era realmente escuro e podia cair se não conseguisse enxergar. Sentiu-se agradecida, mas assustada também.

Quando se deparou com a pequena sala enterrada, deslumbrou-se. Havia muitos livros, tantos que nem cabiam nas estantes, estavam por todo lugar, empilhavam-se aos montes pelo chão. Perdeu alguns bons minutos olhando cada um, analisando a letra, o número de páginas, cheirando as folhas, verificando se não tinha algum bilhete dentro de algum deles. Havia, também, muitos quadros nas paredes, alguns eram retratos antigos de pessoas antigas, outros eram paisagens e uns eram bastante surreais e assustadores. Olhou-os bem, verificou cada detalhe, observou de vários ângulos, esteve ao ponto de devorá-los… Porém, um som estridente chamou-lhe a atenção. Olhou para cima, de onde vinha o ruído, e viu que o teto era de vidro, e através dele pode ver pássaros voando, eram realmente exuberantes… Azuis, amarelos e vermelhos, estavam faceiros, pois dançavam no ar e investiam fortemente contra o vidro com os pequeninos bicos. Querem entrar, pensou a princesa, devem estar sozinhos há muito tempo, querem a minha companhia, alguém para cantar ou dançar junto. Fechou os olhos e ouviu com cuidado o canto dos pássaros, guardou bem aquela sensação. Tragou o som e guardou bem dentro, nas vísceras, nos flancos. Jamais esqueceria.

Baixou a cabeça e sentindo-se um pouco tonta, por ter fixado o olhar durante muito tempo, levou a mão à frente do corpo, para apoiar-se e no mesmo instante sentiu uma superfície lisa e gelada. Olhou, era um imenso espelho, podia ver seu corpo todo nele, a moldura grossa, maciça, toda de ouro. Olhou a superfície lustrosa e brilhante. Então, olhou-se, viu seu cabelo, seu vestido, os pés descalços, meio sujos da terra do bosque, as mãozinhas pálidas, o rosto redondo, as bochechinhas vermelhas e os olhos resplandecentes. De repente, sua imagem começou a desfazer-se e no lugar de seu corpo começou a ver refletida a imagem de outra mulher. Era ruiva, os cabelos tão longos que caiam-lhe como um véu pelas costas e alcançavam o chão, os olhos eram verdes claros, a pele muito branca, os lábios carnudos e vermelhos, o corpo vistoso e a postura muito apetitosa. Usava um vestido comprido, da cor dos cabelos, que deixava à mostra apenas os pés descalços e o decote, que tornavam salientes os pequenos e belos seios. Olhou-a até a angústia e sentiu-se tentada. Colocou a pequena mãozinha no vidro do espelho e este se desfez em energia. A mão da menina tocou a mão da mulher, e a princesinha quis mais, tocou os braços, os ombros, o rosto e quando se deu por conta, estava do outro lado, olhando de frente para ela, sentindo o perfume de flores que vinha do seu cabelo cor de fogo e o cheiro da seda do seu vestido.

A menina quis saber onde estava, e a resposta que teve foi que estava onde deveria estar. Quis saber também, quem era aquela estranha e bela mulher que morava em um espelho e seduzia menininhas, a mulher respondeu que naquele dia seria apenas sua guia, mas que em muitas outras ocasiões elas se encontrariam de novo, e ela poderia ser sua mãe, sua irmã, sua avó, outra ancestral qualquer, sua amante, sua mestra ou até ela mesma. A ideia de ser aquela mulher tentou-a muito e a garota plantou em sua mente esse estranho desejo. Sentiu as mãos de sua guia segurarem as dela e impulsivamente seguiram juntas. Caminharam por um longo tempo, sem trocar palavra alguma, apenas sensações de toques, de cheiros, de energias. Quando chegaram ao lugar predito, a mulher despediu-se da princesa com um beijo nos lábios e desapareceu em meio às plantas.

A menina estava sozinha, olhou em volta, estava no meio de uma imensa floresta, com árvores muito velhas e altas, a noite chegara e podia ver com dificuldade as estrelas, bem ao longe, se inclinasse bastante o pescoço. Não sabia exatamente por que tinha sido levada até ali, sentia-se meio ridícula ao pensar que estava em uma floresta, dentro de um espelho. Mas estava ali, não era sonho, tinha certeza. Olhou tudo com calma, tentou achar alguém que talvez estivesse esperando por ela, mas não achou. Então, foi caminhando, sentindo a pele dos pés entrar em contato com a terra da floresta, e a floresta a guiou. A princesa foi conduzida até uma grande árvore, a maior, a que estava bem no centro, a mais alta e a que tinha as folhas mais verdes. O tronco era tão grosso e as raízes tão grandes que a menina comoveu-se ao contemplá-la. Olhou atentamente e teve a impressão de que o tronco daquela velha árvore era formado por vários corpos de mulheres, balançou a cabeça, imaginava cada coisa… Colocou a palma da mão sobre a árvore e sentiu a aspereza. De repente, um braço pareceu desgrudar-se do tronco, com suas mãos finas, delicadas e cobertas de musgo. A menina esfregou os olhos com força e ao abri-los, teve certeza! Na outra extremidade da árvore, mais um braço desprendeu-se rápido! Logo, as duas cabeças insistentes desligaram-se dos primeiros galhos e a menina pode ver os lindos cachos esverdeados que caíam pelas costas das duas belas mulheres ramadas. Entregues ao sono, pareciam abraçar-se em um eterno deleite! Agora, totalmente despertas pelos toques impacientes da garotinha, pareciam afastar-se, deixando à vista um estranho e mágico portal. A princesa olhou ansiosa para as mulheres-plantas, esperando o convite! Elas, responderam com seus olhos verdes d’água e ofereceram-lhe as mãos! A menina, aceitando logo, segurou-as e com um forte impulso, empurrou o frágil corpinho para dentro do portal. Em menos de um segundo estava dentro da árvore, tentou olhar para trás, para ver se conseguia enxergar a floresta, mas as mulheres já haviam adormecido novamente. Mal deu tempo de olhar ao redor, para ver se estava bem, desmaiou, caiu madura no chão.

Acordou com uma leve dor nas costas, e meio zonza abriu um dos olhos, estava sendo carregada por homenzinhos nus, muito pequenos e com os corpos cobertos de tatuagens. Sentia-se diferente, algo em seu corpo gritava. Tentou falar, mas sua boca estava dormente. Foi puxada pelos braços e pernas por uma meia hora, até chegarem a um castelo. Os homenzinhos levantaram a menina com dificuldade e quando ela ficou de pé, pode ver o quanto os homens selvagens eram pequeninos, nem alcançavam a cintura da garota. Em compensação eram homens fortes e tinham membros bem grandes. Os homens disseram a ela que deveria entrar, pois a rainha já estava esperando, havia sido preparada uma grande festa para comemorar a sua chegada ao reino.

A menina adorava festas e ficou empolgada em saber que uma rainha a estava esperando. Entrou no salão e no mesmo instante esqueceu seu nome, sua idade, de onde tinha vindo, quem eram seus pais, que língua falava, que comidas gostava. Viu-se nua e deitando-se ao lado da rainha, ficou lá por algum tempo. Provou da rainha e provou dos homenzinhos também, provou de muitas bebidas e muitas comidas. Experimentou todas as frutas, todas as hortaliças, carnes, caldos, todos os pães e doces. Degustou todos os chás, todos os sucos, todas as seivas, vinhos e leites. Bebeu os orvalhos de todas as árvores, todos os cafés e as bebidas mais exóticas. Provou todos os destilados, todos os fluidos e todos os sangues. Comeu as mais estranhas plantas e fumou ervas. Provou misturas e temperos, molhos e todas as iguarias. Bebeu bocas e dentes, sorrisos e olhares. Experimentou toques e sensações, braços e pernas e abocanhou seios e ventres, ombros e mãos. Seduziu e foi seduzida. Teve sono, às vezes, e dormiu. Mas lembra-se muito pouco de ter dormido. Lembra-se mesmo de ter colhido, de ter semeado, de ter repartido e doado, de ter dividido e sugado. Por meses ficou lá, e não percebeu, sabia que o tempo passava e que se ela ficasse ali, continuaria a mesma para sempre, mas quanto voltasse ao seu mundo, tudo haveria mudado. Devia ter cuidado, pois certamente não notaria o tempo passar. Não havia distinção entre o dia e a noite naquele estranho reino. O dia misturava-se à noite e a noite ao dia, num eterno entardecer, num eterno amanhecer. Mas o estranho é que nunca entardecia realmente e as manhãs nunca chegavam. Não podia ficar muito naquele lugar, não sabia ao certo porque, mas tinha de levantar-se, deixar todos aqueles prazeres e voltar para casa.

Tentou por vários dias levantar-se da cama da rainha, mas traziam doces muito vistosos ou licores muito apetitosos, ou a rainha, tentando seduzi-la, gentilmente lhe contava histórias enquanto a acariciava. Aí a menina pensava, só mais uma noite. Foram várias as tentativas, todas em vão. Um dia, depois de uma das poucas vezes que adormecera, acordou decidida, não comeu, nem bebeu nada. Teve de ser forte, controlar seus instintos, sua fúria, suas vontades… Levantou-se e olhou cada canto do castelo, passou a mão no corpo da rainha e examinou cada detalhe, sentiu o cheiro de cada delícia que havia no salão, memorizou a imagem dos homenzinhos e de toda a gente do reino, decorou cada pedaço de terra, cada planta, cada raiz. Bebeu a leve brisa daquele estranho lugar, tragou cada sensação e cada som. Comeu, mastigou bem e engoliu depressa, com medo de esquecer. Fechou os olhos, entranhou todas as lembranças, guardou na testa, no pescoço, no peito, no plexo, no sexo, no topo da cabeça, nas veias, no ventre, nas vísceras. Cerrou os dentes e partiu.

 
A princesa não lembrava o caminho que a fez voltar para casa, acordou no seu quarto, em cima da cama. Sentia a cabeça pesada, o corpo doído, os olhos ardentes, a boca ferida e as partes latejantes. Não sabia o que havia acontecido, olhou-se no espelho e viu os pés sujos de terra e o vestido tingido de vermelho. Sentiu-se diferente. Lembrava de algumas coisas e tinha um gosto de verde na boca. Pegou seu diário e pôs-se a escrever com medo de esquecer a aventura. Quando terminou, lembrou-se das histórias que a avó lhe contava, quando era ainda bem pequena e estava impaciente porque não podia brincar. Não queria ter filhos, mas se tivesse, sabia muito bem o que contar para as netas em noites de chuva!”
(Hölle Carogne)

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*