A lama do impeachment no rio da democracia

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A economia capitalista gera crises, ela opera de forma cíclica. Muitos estão a culpar a figura da Presidente pela crise. Nem nos EUA, país que foi um dos motores do estouro da bolha, houve essa culpabilização do presidente por todas as engrenagens envolvidas nas compras e vendas de dívida.

02/12/2015 - Tweeter do presidente da Câmara Eduardo Cunha, dizendo que a pedido das ruas, o pedido de impeachment foi acolhido. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
02/12/2015 – Tweet do presidente da Câmara Eduardo Cunha dizendo que, a pedido das ruas, o pedido de impeachment foi acolhido. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Talvez, ou melhor, de fato, não obtivemos resultados incríveis com as medidas e ajustes desse governo. Não teríamos resultados melhores com outros governantes, talvez tivéssemos uma economia melhor com outros empresários liderando o setor privado, e uma política menos aceptativa às ações livres dos bancos.

A única culpa que Dilma tem pela crise é ser presidente durante sua duração, e não dispor de ferramentas para impedir que a lama escorra pelo rio. Uma lama que veio de fora do país e afetou o mundo.

Mas é triste um país onde é preciso sacrificar a democracia toda vez que se tenta combater a corrupção. E isso é culpa do sistema, que gera autoritarismo popular. O povo não quer entender o sistema, ele segue os atores principais como peixes em um cardume.

Enquanto for assim, não importa o título de democracia, viveremos enquanto povo em uma constante busca pela ditadura da maioria.

A política no Brasil é uma tentativa de evitar a ditadura da maioria, o fascismo nosso de cada dia. Fazer a sua parte é deixar a emoção de lado no jogo político, o lugar da paixão é nas boas intenções. Se assim fosse nem mesmo corrupção teria lugar aqui.

Brasília- DF 02-12-2015 Foto Lula Marques/Agência PT Presidenta Dilma durante pronunciamento.
Brasília- DF 02-12-2015 Foto Lula Marques/Agência PT Presidenta Dilma durante pronunciamento. Em seu pronunciamento, Dilma disse: “Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de dinheiro público. Não possuo conta no exterior e nem tentei ocultar do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses. O meu passado e o meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromissos com as leis e a coisa pública”

Este episódio político não é bom para a Dilma nem para o Cunha. Ele é bom para a Vale, pela atenção desviada de um caso concreto. O Brasileiro pula de luta em luta e nunca termina nenhuma.

A Dilma precisa ficar. Não por ser boa ou ter minha admiração, mas porque o motivo que a quer fora é a emoção pura do povo frente às crises e aos problemas nacionais que seriam iguais com outros governantes. A questão é que ela precisa ficar, do contrário a ditadura da maioria irá ganhar a luta contra a constituição democrática e todos nós, brasileiros, querendo ou não o melhor para o país, teremos mais uma vez falhado terrivelmente pela democracia, pela falta de entendimento e discernimento político, econômico, histórico e social, assim como falhamos em 64.

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